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Artigos Religiosos

SACROSANTUM CONCILIUM

CONSTITUIÇÃO “SACROSANTUM CONCILIUM”
SOBRE A LITURGIA

Paulo Bispo, Servo dos servos de Deus, juntamente com os padres
conciliares, para perpétua memória de acontecimento: Constituição
sobre a sagrada Liturgia.

PROÊMIO

1. O SACROSSANTO CONCÍLIO propõe-se fomentar sempre mais a vida cristã entre os fiéis; acomodar melhor às necessidades de nossa época as instituições que são suscetíveis de mudanças; favorecer tudo o que possa contribuir para a União dos que crêem em Cristo; e promover tudo o que conduz ao chamamento de todos ao seio da Igreja. Por isso julga ser seu dever cuidar de modo especial da reforma e do incremento da Liturgia.

2. Pois a Liturgia, pela qual, principalmente no divino Sacrifício da Eucaristia, “se exerce a obra de nossa Redenção”¹, contribui do modo mais excelente para que os fiéis exprimam em suas vidas e aos outros manifestem o mistério de Cristo e a genuína natureza da verdadeira Igreja. Caracteriza-se a Igreja de ser, a um tempo, humana e divina, visível, mas ornada de dons invisíveis, operosa na ação e devotada a contemplação, presente no mundo e no entanto peregrina. É isso de modo que nela o humano se ordene ao divino e a ele se subordine, o visível ao invisível, a ação a contemplação e o presente a cidade futura, que buscamos. ² Por isso, enquanto a Liturgia cada dia edifica em templo santo no Senhor, em tabernáculo de Deus no Espírito ³ aqueles que estão dentro dela, até a medida da idade da plenitude de Cristo4, ao mesmo tempo admiravelmente lhes robustece as forças para que preguem Cristo. Destarte ela mostra a Igreja aos que estão fora como estandarte erguido diante das nações5, sob o qual se congreguem num só corpo6 os filhos de Deus dispersos, até que haja um só rebanho e um só pastor.7

3. Por esta razão, o Sacrossanto Concílio julga que, para a renovação e incremento da liturgia, devem ser relembrados os princípios e estatuídas as normas práticas que se seguem. Entes estes princípios e normas alguns há que podem e devem aplicar-se tanto ao rito romano quanto a todos os demais ritos, embora as seguintes normas práticas devem ser entendidas somente com referência ao rito romano, a não ser que se trate de assuntos que por sua própria natureza afetem também os outros ritos.

4. Enfim, obedecendo fielmente a Tradição, o Sacrossanto Concílio declara que a Santa Mãe Igreja considera todos os ritos legitimamente reconhecidos com igual direito e honra e, para o futuro, os quer defender e de todos os modos favorecer e deseja que onde for necessário, sejam cuidadosa e integralmente revistos, conforme o espírito de sã tradição e se lhes de novo vigor em vista das atuais condições e necessidades.

[A Obra da Salvação, Prenunciada por Deus, é Realizada em Cristo]

5. Deus, que “quer salvar e fazer chegar ao conhecimento da verdade todos os homens” (1 Tim 2,4), “havendo outrora falado muitas vezes e de muitos modos aos pais pelos profetas” (Heb 1,1), quando veio a plenitude dos tempos, enviou Seu Filho, Verbo feito carne, ungido pelo Espírito Santo, para evangelizar os pobres, curar os contritos de coração8, como “médico corporal e espiritual”9, Mediador entre Deus e os homens.10 Sua humanidade, na unidade da pessoa do Verbo, foi instrumento de nossa salvação. Pelo que, em Cristo “ocorreu” a perfeita satisfação de nossa reconciliação e nos foi comunicada a plenitude do culto divino”.¹¹
Esta obra da Redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, da qual foram prelúdio as maravilhas divinas operadas no povo do Antigo Testamento, completou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal de Sua sagrada Paixão, Ressurreição dos mortos e gloriosa Ascensão. Por este mistério, Cristo, “morrendo, destruiu a nossa morte e ressuscitando, recuperou a nossa vida”.¹² Pois do lado de Cristo dormindo na cruz nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja.¹³

[A Obra de Cristo Continua na Igreja e se Coroa em sua Liturgia]

6. Portanto, assim como Cristo foi enviado pelo Pai, assim também Ele enviou os Apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para pregarem, o Evangelho a toda criatura14, anunciarem que o Filho de Deus, pela Sua morte e ressurreição, nos libertou do poder de Satanás15 e da morte e nos transferiu para o reino do Pai, mas ainda para levarem a efeito o que anunciavam: a obra da salvação através do Sacrifício e dos Sacramentos, sobre os quais gira toda a vida litúrgica. Assim, pelo Batismo os homens são inseridos no mistério pascal de Cristo: com Ele mortos, com Ele sepultados, com Ele ressuscitados16; recebem o espírito de adoção de filhos, “pelo qual clamamos: o espírito de adoção de filhos, “pelo qual clamamos: Abba, Pai” (Rom 8,15), e assim se tornam os verdadeiros adoradores procurados pelo Pai.17 Da mesma forma, toda vez que comem a ceia do Senhor, anunciam-Lhe a morte até que venha.18 Por este motivo, no próprio dia de Pentecostes, no qual a Igreja apareceu ao mundo, “os que receberam a palavra” de Pedro “foram batizados”. E “perseveravam na doutrina dos Apóstolos, na comunhão da fração do pão e nas orações, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo” (At 2,41-42,47). Nunca, depois disto, a Igreja deixou de reunir-se para celebrar o mistério pascal: lendo “tudo quanto a Ele se referia em todas as Escrituras” (Lc 24,27), celebrando a Eucaristia, na qual “se torna novamente presente a vitória e o triunfo de Sua morte”19 e, ao mesmo tempo, dando graças “a Deus pelo dom inefável” (2 Cor 9,15) em Jesus Cristo, “para louvor de sua glória” (Ef 1,12), pela força do Espírito Santo.

[Presença de Cristo na Liturgia]

7. Para levar a efeito obra tão importante Cristo está sempre presente em Sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas. Presente está no sacrifício da missa, tanto na pessoa do ministro, “pois aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora se ofereceu na Cruz” 20, quanto sobretudo sob as espécies eucarísticas. Presente esta pela Sua força nos sacramentos, de tal forma que quando alguém batiza é Cristo mesmo que batiza.²¹ Presente está pela Sua palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja. Está presente finalmente quando a Igreja ora e salmodia, Ele que prometeu: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles” (Mt 18,20).
Realmente, em tão grandiosa obra, pela qual Deus é perfeitamente glorificado e os homens são santificados, Cristo sempre associa a Si a Igreja, Sua Esposa diletíssima, que invoca seu Senhor e por Ele presta culto ao eterno Pai.
Com razão, pois, a Liturgia é tida como o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, no qual, mediante sinais sensíveis, é significada e, de modo peculiar a cada sinal, realizada a santificação do homem; e é exercido o culto público integral pelo Corpo Místico de Cristo, Cabeça e membros.
Disto se segue que toda a celebração litúrgica, como obra de Cristo sacerdote, e de Seu Corpo que é a Igreja, é uma ação sagrada por excelência, cuja eficácia, no mesmo título e grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja.

[Liturgia Terrena e Liturgia Celeste]

8. Na Liturgia terrena, antegozando, participamos da Liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual, peregrinos, nos encaminhamos. Lá, Cristo está sentado a direita de Deus, ministro do santuário e do tabernáculo verdadeiro ²²; com toda a milícia do exército celestial entoamos um hino de glória ao Senhor e, venerando a memória dos Santos, esperamos fazer parte da sociedade deles; suspiramos pelo Salvador. Nosso Senhor Jesus Cristo, até que Ele, nossa vida, Se manifeste, e nós apareçamos com Ele na glória. ²³

[B. A Liturgia no Conjunto da Missão da Igreja]

[A Liturgia não Esgota toda a Ação da Igreja]

9. A Sagrada Liturgia não esgota toda a ação da Igreja. Pois, antes que os homens possam achegar-se da Liturgia, faz-se mister que sejam chamados a fé e à conversão: “Como invocarão Aquele em que não creram? E como crerão sem terem ouvido falar d’Ele? E como ouvirão se ninguém lhes pregar? E como se pregará se ninguém for enviado?” (Rom 10,14-15).
Por isso a Igreja anuncia aos não-crentes a mensagem da salvação, para que todos os homens conheçam o único verdadeiro Deus e Aquele que enviou, Jesus Cristo, e se convertam de seus caminhos, fazendo penitência.24 Aos que crêem, porém, sempre deve pregar-lhes a fé e a penitência; deve, além disso, dispô-los aos Sacramentos, ensinar-lhes a observar tudo o que Cristo mandou 25 e estimulá-los para toda a obra de caridade, piedade e apostolado. Por estas obras os fiéis cristãos manifestem que não são deste mundo, mas sim a luz do mundo e os glorificadores do Pai diante dos homens.

[A Liturgia é Fonte de Vida da Igreja]

10. Todavia, a Liturgia é o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda a sua força. Pois os trabalhos apostólicos se ordenam a isso: que todos, feitos pela fé e pelo Batismo filhos de Deus, juntos se reunam, louvem a Deus no meio da Igreja, participem do sacrifício e comam a ceia do Senhor.
A própria Liturgia, por seu turno, impele os fiéis que, saciados dos “sacramentos pascais”, sejam “concordes na piedade”26, reza que “conservem em suas vidas o que receberam pela fé”27; a renovação da Aliança do Senhor com os homens na Eucaristia solicita e estimula os fiéis para a caridade imperiosa de Cristo. Da Liturgia portanto, mas da Eucaristia principalmente, como de uma fonte, se deriva a graça para nós e com a maior eficácia é obtida aquela santificação dos homens em Cristo e a glorificação de Deus, para a qual, como a seu fim, tendem todas as demais obras da Igreja.

[C. A Liturgia na Vida Espiritual dos Fiéis]

[Necessidade das Disposições Pessoais]

11. Para que se obtenha esta plena eficácia, é mister que os fiéis se acerquem da Sagrada Liturgia com disposições de reta intenção, sintonizem a sua alma com as palavras e cooperem com a graça do alto, a fim de que não a recebam em vão.28 Por isto, é dever dos sagrados pastores vigiar que, na ação litúrgica, não só se observem as leis para a válida e lícita celebração, mas que os fiéis participem dela com conhecimento de causa, ativa e frutuosamente.

[Cultivar a Piedade em toda a Vida, também fora da Litúrgia]

12. Contudo, a vida espiritual não se restringe unicamente a participação da sagrada Liturgia. O cristão, chamado para a oração comunitária, deve, não obstante, entrar em seu cubículo e orar ao Pai em segredo29; deve até orar sem cessar, como ensina o Apóstolo.30 E do mesmo Apóstolo aprendemos que devemos sempre trazer em nosso corpo a morte de Jesus para que também a Sua Vida Se manifeste em nossa carne mortal.³¹ Razão por que suplicamos ao Senhor no sacrifício da Missa que nós mesmos, pela “aceitação da oblação da hóstia espiritual”, sejamos feitos “eterna dádiva” sua. ³²

[Liturgia e Exercícios Piedosos]

13. Os piedosos exercícios do povo cristão, conquanto conformes as leis e normas da Igreja, são encarecidamente recomendados, sobretudo quando são feitos por ordem da Sé Apostólica.
Gozam ainda de especial dignidade as práticas religiosas das Igrejas particulares, que se celebram por ordem dos Bispos, conforme os costumes ou livros legitimamente aprovados.
Assim, pois, considerando os tempos litúrgicos, estes exercícios devem ser organizados de tal maneira que condigam com a Sagrada Liturgia, dela de alguma forma derivem, para ela encaminhem o povo, pois que ela, por sua natureza, em muito os supera.

II. NECESSIDADE DE PROMOVER A EDUCAÇÃO

LITÚRGICA E A ATIVA PARTICIPAÇÃO

[Preâmbulo]

14. Deseja ardentemente a Mãe Igreja que todos os fiéis sejam levados aquela plena, cônscia e ativa participação das celebrações litúrgicas, que a própria natureza da Liturgia exige e a qual, por força do batismo, o povo cristão, “geração escolhida, sacerdócio régio, gente santa, povo de conquista” (1 Ped 2,9; cf. 2,4-5), tem direito e obrigação.
Cumpre que essa participação plena e ativa de todo o povo seja diligentemente considerada na reforma e no incremento da Sagrada Liturgia. Pois é a primeira e necessária fonte da qual os fiéis haurem o espírito verdadeiramente cristão.35 E por isso, mediante instrução devida, deve com empenho ser buscada pelos pastores de almas em toda ação pastoral.
Não havendo, porém, esperança alguma de que tal possa ocorrer, se os próprios pastores de almas não estiverem antes profundamente imbuídos do espírito e da força da Liturgia e dela se tornarem mestres, faz-se, por isso, muitíssimo necessário que antes de tudo se cuide da formação litúrgica do clero. Diante disso resolveu o Sacrossanto Concílio estabelecer o que se segue.

[Formação de Mestres em Sagrada Liturgia]

15. Os professores escolhidos para lecionar a disciplina da Sagrada Liturgia nos seminários, nas casas religiosas de estudos e nas faculdades teológicas, devem, para ser cargo, ser cuidadosamente formados em estabelecimentos a isso especialmente destinados.

[Formação Litúrgica do Clero]

16. Nos seminários e casas religiosas de estudos, a disciplina da Sagrada Liturgia esteja entre as matérias necessárias e mais importantes, nas faculdades teológicas, porém, entre as principais. E seja tratada tanto sob o aspecto teológico e histórico, quanto espiritual, pastoral e jurídico. Empenhem-se, além disso, os professores das demais disciplinas, especialmente de Teologias Dogmática, Sagrada Escritura, Teologia Espiritual, e Pastoral, que, pelas exigências intrínsecas do objeto próprio de cada uma, ensinem o Mistério de Cristo e a história da salvação, de tal modo que transpareçam claramente da formação sacerdotal.

17. Nos seminários e casas religiosas, os clérigos adquiram formação litúrgica da vida espiritual, com competente orientação para que possam entender as cerimônias sacras e nelas participar de todo o coração, tanto pela própria celebração dos mistérios sagrados, quanto pelos outros exercícios de piedade, imbuídos do espírito da Sagrada Liturgia; do mesmo modo aprendam a observância das leis Litúrgicas, assim que a vida nos seminários e institutos religiosos seja profundamente impregnada do espírito litúrgico.

[A Vida Litúrgica dos Sacerdotes]

18. Is sacerdotes, quer seculares, quer religiosos, que já labutam na vinha do Senhor, sejam auxiliados por todos os meios oportunos para que sempre mais plenamente entendam o que realizam nas sagradas funções, vivam a vida litúrgica, e façam dela participantes os fiéis a eles confiados.

[A Instrução Litúrgica e Participação Ativa do Povo]

19. Com empenho e paciência procurem dar os pastores de almas a instrução litúrgica e também promovam a ativa participação interna e externa dos fiéis, segundo a idade, condição, gênero de vida e grau de cultura religiosa, cumprindo assim um dos principais deveres do fiel dispensador dos mistérios de Deus; e nesse particular conduzam seu rebanho não só pela palavra, mas também pelo exemplo.

[Transmissões de Rádio e Televisão]

20. As transmissões por rádio e televisão das funções sagradas, particularmente em se tratando da Santa Missa, façam-se com discrição e decoro, sob a direção e responsabilidade de pessoa idônea, escolhida para tal ofício pelos bispos.

III. Reforma da Sagrada Liturgia

[Preâmbulo]

21. A Santa Mãe deseja com empenho cuidar da reforma geral de sua Liturgia, a fim de que o povo cristão na Sagrada Liturgia, consiga com mais segurança graças abundantes. Pois a Liturgia consta de uma parte imutável, divinamente instituída, e de partes suscetíveis de mudança. Estas, com o correr dos tempos, podem ou mesmo devem variar, se nelas se introduzir algo que não corresponda bem a natureza íntima da própria Liturgia, ou se estas partes se tornarem menos aptas.
Com esta reforma, porém, o texto e as cerimônias devem ordenar-se de tal modo, que de fato exprimam mais claramente as coisas santas que eles significam e o povo cristão possa compreendê-las facilmente, na medida do possível, e também participar plena e ativamente da celebração comunitária.
Em vista disso, o Sacramento Concílio estabeleceu estas normas mais gerais.

A) Normas Gerais

[Cabe só a Hierarquia Regulamentar a Sagrada Liturgia]

22. § 1. A regulamentação da Sagrada Liturgia é da competência exclusiva da autoridade da Igreja. Esta autoridade cabe a Santa Sé Apostólica e, segundo as normas do Direito, ao Bispo.

§ 2. Por poder concedido pelo Direito, dispor assuntos de Liturgia dentro dos limites estabelecidos, cabe também as competentes conferências territoriais dos Bispos, de vários tipos, legitimamente constituídas.

§ 3. Portanto, jamais algum outro, ainda que sacerdote, acrescente, tire ou mude por própria conta qualquer coisa a Liturgia.

[Conserve-se a Tradição e Admita-se o Legítimo Progresso]

23. A fim de que se mantenha a são tradição e assim mesmo se abra caminho para um legítimo progresso, sempre preceda cuidadosa investigação teológica, histórica e pastoral acerca de cada uma das partes da Liturgia a serem reformadas. Além disso, considerem-se tanto as leis gerais da estrutura e do espírito da Liturgia, como também a experiência proveniente da recente reforma litúrgica e dos indultos aqui e acolá concedidos. Afinal, não se façam inovações, a não ser que a verdadeira e certa utilidade da Igreja o exija e tomando a devida cautela de que as novas formas de um certo modo brotem como que organicamente daquelas que já existiam.
Cuide-se também, na medida do possível, que não haja diferenças notáveis de cerimônias entre regiões vizinhas.

[O Caráter Bíblico na Promoção da Reforma Litúrgica]

24. Na celebração litúrgica é máxima a importância da Sagrada Escritura. Pois dela são lidas as lições e explicadas na homilia e cantam-se os salmos. É de sua inspiração e bafejo que surgiram as preces, orações e hinos litúrgicos. E é dela também que os atos e sinais tomam a sua significação. Portanto, para cuidar da reforma, progresso aquele suave e vivo afeto pela Sagrada Escritura, que é confirmado pela venerável tradição dos ritos, tanto orientais como ocidentais.

25. Os livros litúrgicos sejam quanto antes revistos convocando peritos para isso e consultando os Bispos das diversas partes do mundo.

B) Normas tiradas da índole da Liturgia
como Ação Hierárquica e Comunitária.

26. As ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, que é o “sacramento da unidade”, isto é, o povo santo, unido e ordenado sob a direção dos Bispos. ³³
Por isso, estas celebrações pertencem a todo o Corpo da Igreja, e o manifestam e afetam; mas atingem a cada um dos membros de modo diferente, conforme a diversidade de ordens, ofícios e da participação atual.

[Preferência da Celebração Comunitária]

27. Todas as vezes que as cerimônias, de acordo com sua própria natureza, admitem uma celebração comunitária, com assistência e participação ativa dos fiéis, seja inculcado que, na medida do possível, ela deve ser preferida, a celebração individual ou quase privada.
Isso vale, principalmente, para a celebração da Missa e a administração dos sacramentos, naturalmente salvaguardada a natureza pública e social de cada Missa.

[Cada qual Faça só aquilo que lhe Compete]

28. Nas celebrações litúrgicas, cada qual, ministro ou fiel, ao desempenhar a sua função, faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete.
[Os Auxiliares Cumpram sua Função com Piedade e sejam bem Instruídos]

29. Também os ajudantes, leitores, comentadores e componentes da “Schola Cantorum” desempenham um verdadeiro ministério litúrgico. Portanto, cumpram sua função com aquela piedade e ordem que convém a tão grande ministério e com razão deles exige o povo de Deus.
Por isso, é necessário que, de acordo com as condições de cada qual, sejam cuidadosamente imbuídos do espírito litúrgico e preparados para executar as suas partes, perfeita e ordenadamente.

[Participação Ativa dos Fiéis]

30. Para promover uma participação ativa, trate-se de incentivar as aclamações do povo, as respostas, as salmodias, antífonas e os cânticos, bem como as ações e os gestos e o porto do corpo. A seu tempo, seja também guardado o sagrado silêncio.

[Prevejam-se as Partes dos fiéis]

31. Na revisão dos livros litúrgicos, cuide-se atentamente que as rubricas prevejam também as partes dos fiéis.

[Na Liturgia não Haja Nenhuma Acepção de Pessoas]

32. Exceto a distinção proveniente de função litúrgica ou Ordem Sacra, e exceto as honras que conforme as normas das leis litúrgicas são devidas as autoridades civis, não haja na Liturgia nenhuma acepção de pessoas privadas ou de classes sociais, quer seja nas cerimônias, quer no aparato externo.

C) Normas Litúrgicas da Índole Didática e Pastoral

[Preâmbulo]

33. Embora a Liturgia seja principalmente culto da Majestade Divina, encerra também grande ensinamento ao povo fiel.34 Pois na Liturgia Deus fala a seu povo. Cristo ainda anuncia o Evangelho. E o povo responde a Deus, ora com cânticos ora com orações.
Sobretudo as orações dirigidas a Deus pelo sacerdote, que preside a comunidade na pessoa de Cristo, são rezadas em nome de todo o povo santo e de todos os presentes. E os sinais sensíveis que a Sagrada Liturgia usa para significar as coisas divinas invisíveis foram escolhidos por Cristo ou pela Igreja. Portanto, não só enquanto se lêem aquelas coisas “que foram escritas para o nosso ensinamento” (Rom 15,4), mas também enquanto a Igreja reza, ou canta ou age, é que se alimenta a fé dos participantes e suas mentes são despertadas para Deus, a fim de Lhe prestarem um culto racional e receberem com mais abundância Sua graça.
Por isso, na reforma a ser feita, devem ser observadas as normas gerais seguintes:

[Estrutura das Cerimônias]

34. As cerimônias resplandeçam de nobre simplicidade, sejam transparentes por sua brevidade e evitem as repetições inúteis, sejam acomodadas a compreensão dos fiéis e, em geral, não careçam de muitas explicações.

[Sagrada Escritura, Pregação e Catequese Litúrgica]

35. Para que apareça claramente que na Liturgia as cerimônias e as palavras estão intimamente conexas:

1) Nas celebrações litúrgicas restaure-se a leitura da Sagrada Escritura mais abundante, variada e apropriada.

2) Seja também anotado nas rubricas, conforme a cerimônia o permitir, o lugar mais apto para o sermão, como parte da ação litúrgica; e o ministério da pregação seja cumprido com muita fidelidade e exatidão. Deve a pregação, em primeiro lugar, haurir os seus temas da Sagrada Escritura e da Liturgia, sendo como que a proclamação das maravilhas divinas na história da salvação ou no mistério de Cristo, que está sempre presente em nós e opera, sobretudo nas celebrações litúrgicas.

3) Seja também inculcada, por todos os modos, a catequese mais diretamente litúrgica; e nas próprias cerimônias sejam previstos, se necessário for, breves esclarecimentos, a serem proferidos pelo sacerdote ou pelo ministro competente, em momentos mais oportunos, com termos prefixados por escrito ou semelhantes.

4) Incentive-se a celebração sagrada da Palavra de Deus, nas vigílias das festas mais solenes, em algumas férias do Advento e da Quaresma, como também nos domingos e dias santos, sobretudo naqueles lugares onde falta o padre. Neste caso seja o diácono ou algum outro delegado pelo Bispo quem dirija a celebração.

[Língua Litúrgica]

36. § 1. Salvo o direito particular, seja conservado o uso da Língua Latina nos Ritos latinos.

§ 2. Contudo, já que, ou na Missa, ou na administração dos Sacramentos ou em outras partes da Liturgia pode, não raro, o emprego da língua vernácula ser muito útil ao povo, permite-se dar-lhe um lugar mais amplo, principalmente nas leituras e admoestações, em algumas orações e cânticos, conforme as normas que a respeito disso serão pormenorizadamente estabelecidas nos capítulos seguintes.

§ 3. Observadas estas normas, pertence a competente autoridade eclesiástica territorial, conforme se diz no artigo 22 § 2 e, segundo o caso, consultada a opinião dos Bispos das regiões vizinhas da mesma língua, estabelecer as leis sobre o uso e o modo da língua vernácula, aprovada ou confirmadas as decisões pela Santa Sé.

§ 4. A tradução do texto latino para o vernáculo a ser usado na Liturgia deve ser aprovada pela competente autoridade eclesiástica territorial antes mencionada.

D) Normas para conseguir a Adaptação a
mentalidade e as Tradições dos povos

[Preâmbulo]

37. A Igreja não deseja impor na Liturgia uma forma rígida e única para aquelas coisas que não dizem respeito a fé ou ao bem de toda a comunidade. Antes, cultiva e desenvolve os valores e os dotes de espírito das várias nações e povos. O que quer que nos costumes dos povos de fato não esteja ligado indissoluvelmente a superstições e erros, examina-o com benevolência e, se pode, o conserva intacto. Até, por vezes, admite-o na própria Liturgia, contanto que esteja de acordo com as normas do verdadeiro e autêntico espírito litúrgico.

[Adaptação Segundo as Necessidades dos Lugares]

38. Salva a unidade substancial do rito romano, dê-se lugar a legítimas variações e adaptações para os diversos grupos, regiões e povos, principalmente nas Missões, também quando forem reformados os livros litúrgicos; e isso ter-se-á oportunamente diante dos olhos na estruturação dos ritos e na confecção das rubricas.

[Limites da Adaptação]

39. Dentro dos limites estabelecidos nas edições típicas dos livros litúrgicos, cabe a competente autoridade territorial eclesiástica, de que trata o art. 22 § 2, definir as adaptações, principalmente no que se refere a administração dos Sacramentos, Sacramentais, procissões, língua litúrgica, música sacra e artes, de acordo, porém, com as normas fundamentais exaradas nesta Constituição.

[Adaptações mais Profundas]

40. Urgindo, porém, em vários lugares e condições, uma adaptação mais profunda da Liturgia, que é por isso mais difícil:

1) A competente autoridade territorial eclesiástica, de que trata o art. 22 § 2, considere acurada e prudentemente o que, nesse particular, das tradições e da índole de cada povo, se pode oportunamente admitir no culto divino. As adaptações que pareçam úteis ou necessárias sejam propostas a Sé Apostólica, para serem introduzidas com seu consentimento.

2) Para que, porém, a adaptação se faça com a necessária prudência, a mesma autoridade territorial eclesiástica será dada, pela Sé Apostólica, se necessário, alguns grupos, aptos para tanto, e por tempo determinado, a faculdade de permitir e orientar as necessárias prévias.

3) Como, particularmente nas Missões, as leis litúrgicas costumam trazer especiais dificuldades quanto a adaptação, haja, para sua elaboração, homens peritos na matéria em questão.

IV. O Incremento da Vida Litúrgica na Diocese e na Paróquia

[A Vida Litúrgica na Diocese]

41. O Bispo deve ser tudo como o sumo sacerdote de sua grei, do qual, de algum modo, deriva e depende a vida de seus fiéis em Cristo.
Por isso faz-se mister que todos, particularmente na catedral, dêem máxima importância a vida litúrgica da diocese em redor do bispo: persuadidos de que a principal manifestação da Igreja se realiza na plena e ativa participação de todo o povo santo de Deus nas mesmas celebrações litúrgicas, sobretudo na mesma Eucaristia, numa única oração, junto a um só altar, presidido pelo Bispo, cercado de seu presbitério e ministros.35

[A Vida Litúrgica na Paróquia]

42. Como nem sempre e em todos os lugares o Bispo, em sua Igreja, pode estar pessoalmente a frente do rebanho todo, deve necessariamente organizar comunidades de fiéis. Entre elas sobressaem as paróquias, confiadas a um pastor local, que as governe, fazendo as vezes do bispo: pois de algum modo eles representam a Igreja visível estabelecida por toda a terra.
Por isso a vida litúrgica da paróquia e sua relação para com o Bispo deve ser favorecida na mente e na praxe dos fiéis e do clero. Haja esforço para que floresça o espírito de comunidade paroquial, mormente na celebração comunitária da missa dominical.

V. A Promoção da Ação Pastoral Litúrgica

[Preâmbulo]

43. A preocupação de fomentar e reformar a Sagrada Liturgia é tida com razão como sinal dos desígnios providenciais de Deus sobre nossa época, como passagem do Espírito Santo em sua Igreja; marcou-lhe com características próprias a vida, e até mesmo imprimiu uma nota em todo o mundo de sentir e agir religioso desse nosso tempo.
Pelo que, para mais favorecer essa ação pastoral litúrgica na Igreja, o Sacrossanto Concílio determina:

[Comissão Litúrgica Nacional]

44. Convém que pela competente autoridade territorial eclesiástica, de que trata o art. 22 § 2, seja instituída uma Comissão litúrgica, assistida por homens peritos em ciência litúrgica, música sacra e pastoral. Essa Comissão, na medida do possível, seja auxiliada por um Instituto de Liturgia Pastoral, não excluídos, se for oportuno, os leigos. Pertencerá a essa Comissão, sob a autoridade eclesiástica territorial acima mencionada, oriental na sua região a ação pastoral litúrgica, e promover os necessários estudos e experiências, sempre que se trate de adaptações a serem propostas a Sé Apostólica.

[Comissões Litúrgicas Diocesanas]

45. pela mesma razão haja em cada diocese uma Comissão de Liturgia Sacra, para promover a ação litúrgica, sob a orientação do Bispo.
As vezes, pode ser conveniente que várias dioceses constituam uma só Comissão, que, de comum acordo, promova o apostolado litúrgico.

[Comissões de Música Sacra e Arte Sacra]

46. Além da Comissão de Liturgia Sacra, constituam se em cada diocese, enquanto possível, também Comissões de Música Sacra e de Arte Sacra.
É necessário que essas três Comissões trabalhem em estreita colaboração; e até não raro será conveniente que se unam numa só Comissão.
¹ Missal Romano, Oração sobre as oblatas do IX domingo depois de Pentecostes.
² Cf. Heb 13,14.
³ Cf. Ef 2,21-22.
4 Cf. Ef 4,13.
5 Cf. Is 11,12.
6 Cf. Jo 11,52.
7 Cf. Jo 10,16.
8 Cf. Is 61,2; Lc 4,18.
9 S. Inácio de Antioquia, Aos Efésios 7,2: ed. F. X. Funk, Patres Apostolici I, Tubinga 1901, p. 218.
10 Cf. 1 Tim 2,6.
¹¹ Sacramentarium Veronense (Leonianum): ed. C. Mohlberg, Roma 1956, n. 1265, p. 162.
¹² Missal Romano, Prefácio da Páscoa.
¹³ S. Agostinho, Enarr. In Ps. 138, 2: Corpus Christianorum, XL., Turnholt 1956, p. 1991 e a oração depois da 2ª leitura do Sábado Santo, no Missal Romano, antes da reforma da Semana Santa.
14 Cf. Mc 16,15.
15 Cf. At 26,18.
16 Cf. Rom 6,4; Ef 2,6; Col 3,1; 2 Tim 2,11.
17 Cf. Jo 4,23.
18 Cf. 1 Cor 11,26.
19 Concílio de Trento, Sessão XIII, 11 de out. 1551. Decreto De ss. Eucharistia, c.5: Concilium Tridentinum, Diariorum, Actorum, Epistolarum, Tractatuum nova collectio, ed. Soc. Goerrestianae, t. VII. Actorum pars IV, Friburgo em Br. 1961, p. 202.
20 Conc. De Trento, Sessão XII, 17 set. 1562, Doctrina De ss. Missae sacrifício, c. 2: Concilium Tridentinum, ed. cit., t. VIII Actorum pars V, Friburgo em Br 1919, p. 960.
²¹ Cf. S. Agostinho, In Ioannis Evangelium Tractatus VI, c. I n.7: PL 35, 1428.
²² Cf. Apoc 21,2; Col 3,1; Heb 8,2.
²³ Cf. Filip 3,20; Col 3,4.
24 Cf. Jo 17,3; Lc 24,47; At 2,38.
25 Cf. Mt 28,20.
26 Missal Romano, pós-comunhão da Vigília Pascal e do domingo da Ressurreição.
27 Missal Romano, oração da Missa da 3ª feira na oitava da Páscoa.
28 Cf. 2Cor 6,1.
29 Cf. Mt 6,6.
30 Cf. 1 Tess 5,17.
31 Cf. 2 Cor 4,10-11.
³² Missal Romano, oração sobre as oblatas da 2ª feira na oitava de Pentecostes
³³ S. Cipriano, De cath. eccl. Unitate, 7: ed. Hartel, in CSEL, t. VIII, 1, Viena 1868, pp. 215-16. Cf. Ep 66, n. 8, 3: ed. cit., t. III, 2, Viena 1871, pp. 732-33.
34 Cf. Conc. De Trento, Sessão XXII, 17 set. 1562, Doctr. De ss. Missae sacrif., c. 8: Concilium Tridentinum, ed. cit., t. VIII, p. 961.
35 Cf. S. Inácio de Antioquia, Aos Magnésios 7; Aos Filadelfos 4; Aos Esmirnenses 8: ed. F. X. Funk, cit., pp. 266,281.

CAPÍTULO II: O SACROSSANTO MISTÉRIO DA
EUCARISTIA

[Proêmio (47-49)]

47. Na Última Ceia, na noite em que foi entregue, nosso Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico de Seu Corpo e Sangue. Por ele, perpetua pelos séculos, até que volte, o Sacrifício da Cruz, confiando destarte a Igreja, Sua dileta Esposa, o memorial de Sua Morte e Ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade¹, banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da futura glória. ²

48. Por isso a Igreja com diligente solicitude zela para que os fiéis não assistam a este mistério da fé como estranhos ou espectadores mudos. Mas cuida para que bem compenetrados pelas cerimônias e pelas orações participem consciente, piedosa e ativamente da ação sagrada, sejam instruídos pela Palavra de Deus, saciados pela mesa do Corpo do Senhor e dêem graças a Deus. E aprendam a oferecer-se a si próprios oferecendo a hóstia imaculada, não só pelas mãos do sacerdote, mas também juntamente com ele e assim tendo a Cristo como Mediador, dia a dia se aperfeiçoem na união com Deus e entre si ³, para que, finalmente, Deus seja tudo em todos.

49. Em vista disso, para que o Sacrifício da Missa alcance plena eficácia pastoral, também quanto a forma das cerimônias, o Sacrossanto Concílio, considerando as missas que se celebram com assistência de povo, principalmente nos domingos e festas de preceito, determina o seguinte:

[Reforma do Ordinário da Missa]

50. O ordinário da missa seja revisto de tal forma que apareça claramente a índole própria de cada uma das partes, bem como sua mútua conexão e facilite a participação piedosa e ativa dos fiéis.
Por isso as cerimônias sejam simplificadas, conservando cuidadosamente a substância. Omita-se tudo que foi duplicado no decurso dos tempos ou foi acrescentado sem verdadeira utilidade. Em troca, restaurem-se, segundo a primitiva norma dos Santos Padres, alguns ritos que caíram em desuso, caso pareça oportuno ou necessário.

[Lições na Missa]

51. Com a finalidade de mais ricamente preparar a mesa da Palavra de Deus os fiéis, os tesouros bíblicos sejam mais largamente abertos, de tal forma que dentro de um ciclo de tempo estabelecido se leiam ao povo as partes mais importantes da Sagrada Escritura.

[Homilia]

52. Recomenda-se vivamente como parte da própria Liturgia a homilia pela qual, no decurso do ano litúrgico, são expostos os mistérios da fé e as normas da vida cristã a partir do texto sagrado; não deve ser omitida sem grave causa nas missas dominicais e nos dias de guarda, celebrados com assistência de povo.

[Oração Comum]

53. Restaure-se para depois do Evangelho e da homilia, a oração comum ou dos fiéis, principalmente nos domingos e festas de preceito, para que, com a participação do povo, se façam orações pela Santa Igreja, pelos governantes, pelos que sofrem necessidades várias, por todos os homens e pelo bem-estar de todo o mundo.4

[Língua Vernácula]

54. Nas missas celebradas com o povo, pode-se dar conveniente lugar a língua vernácula, principalmente nas lições e na “oração comum” e, conforme os lugares, também naquelas partes que competem ao povo, de acordo com as normas do art. 36 desta Constituição.
Todavia, providencie-se que os fiéis possam juntamente rezar ou cantar em língua latina as partes do Ordinário que lhes compete.
Onde, porém, parecer oportuno um mais amplo uso da língua vernácula na Missa, observe-se o prescrito no art. 40 desta Constituição.

[Participação mais Perfeita pela Comunhão]

55. Vivamente recomenda-se aquela participação mais perfeita da missa, pela qual os fiéis, depois da comunhão do Sacerdote, comungam o Corpo do Senhor do mesmo Sacrifício.

[Comunhão sob as duas Espécies]

Salvaguardados os princípios dogmáticos estabelecidos pelo Concílio Tidentino5 a comunhão sob as duas espécies pode ser concedida, nos casos a serem determinados pela Santa Sé, tanto para clérigos e religiosos quanto para leigos, a juízo dos Bispos, por exemplo, para os ordenados na Missa de sua sagrada ordenação, para os professores na Missa de sua profissão religiosa, para os neófitos, na Missa que se segue ao Batismo.

[O Preceito da Missa Festiva]

56. As duas partes, de que consta de certa forma a missa, a liturgia da palavra e a liturgia eucarística, estão tão estreitamente unidas, que formam um único ato de culto. Por isso, o Sacrossanto Concílio exorta veementemente os pastores de almas a que na catequese instruam os fiéis diligentemente acerca da participação de toda a missa, principalmente nos domingos e festas de preceito.

[A Concelebração]

57. § 1. A concelebração, que apropriadamente manifesta a unidade do sacerdócio, permaneceu até o presente em uso tanto na Igreja Oriental quanto na Ocidental. Por isso o Concílio houve por bem estender a faculdade de concelebrar aos seguintes casos:

1º a) Na quinta-feira santa, tanto na Missa do crisma como na Missa vespertina;
b) Nas missas dos Concílios, reuniões de bispos e sínodos;
c) Na missa de bênção do Abade.

2º Além disso, com a licença do Ordinário, a quem compete julgar da oportunidade da concelebração:
a) Na Missa conventual e na Missa principal das igrejas, quando a utilidade dos fiéis não exigir a celebração individual de todos os sacerdotes presentes;
b) Nas Missas durante as reuniões de sacerdotes de qualquer categoria, quer seculares quer religiosos.

§ 2. 1º Ao Bispo, contudo, cabe moderar a disciplina da concelebração na diocese.

2º Conceda-se, porém, sempre, a cada sacerdote a faculdade de celebrar missa individualmente; mas não ao mesmo tempo nem na mesma igreja, nem na Quinta-Feira Santa.

58. Elabore-se o novo rito da concelebração, a ser inserido no Pontifical e no Missal Romano.
¹ Cf. S. Agostinho, In Ioannis Evangelium Tractatus XXVI, c. VI, n. 13: PL 35, 1613.
² Breviário Romano, Na festa do SS. Corpo de Cristo, às 2ªs. vésperas, antífona ao Magnificat.
³ Cf. S. Cirilo de Alexandria, Commentarium in Ioannis Evangelium, lib. XI, cc. XI-XII: PG 74, 557-565, especialmente 564-565.
4 Cf. 1 Tim 2,1-2
5 Sessão XXI, Doctrina de Communione sub utraque specie et parvutorum, cc. 1-3, cânones 1-3: Concilium Tridentinum, ed. cit., t. VIII pp. 698-699.

CAPÍTULO III: OS DEMAIS SACRAMENTOS E OS
SACRAMENTAIS

[Proêmio (59-62)]

59. Os Sacramentos destinam-se a santificação dos homens, a edificação do Corpo de Cristo e ainda ao culto a ser prestado a Deus. Sendo sinais, destinam-se também a instrução. Não só supõem a fé, mas por palavras e coisas também a alimentam, a fortalecem e a exprimem. Por esta razão são chamados sacramentos da fé. Conferem certamente a graça, mas sua celebração também prepara os fiéis do melhor modo possível para receberem frutuosamente a graça, cultuarem devidamente a Deus e praticarem a caridade.
É muito importante, portanto, que os fiéis compreendam com facilidade os sinais dos Sacramentos. E com muito zelo freqüentem os Sacramentos, que foram instituídos para alimentar a vida cristã.

60. Além disso, a santa Mãe Igreja instituiu os Sacramentais. São sinais sagrados, pelos quais, a imitação dos Sacramentos, são significados efeitos principalmente espirituais, obtidos pela impetração da Igreja. Pelos sacramentais os homens se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida.

61. Por isso, a liturgia dos Sacramentos e Sacramentais consegue para os fiéis bem dispostos que quase todo acontecimento da vida seja santificada pela graça divina que flui do Mistério Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, do Qual todos os Sacramentos e Sacramentais adquirem sua eficácia. E quase não há uso honesto de coisas materiais que não possa ser dirigido a finalidade de santificar o homem e louvar a Deus.

62. Como porém no decorrer dos tempos se introduziram certos costumes nas cerimônias dos Sacramentos e Sacramentais, que por sua natureza e finalidade pouco correspondem ao nosso tempo, fazendo por isso mister adaptá-los em algumas partes as necessidades de nossa época, o Sacrossanto Concílio, em vista de uma revisão a ser feita, estabelece o que se segue:

[Uso da Língua Vernácula]

63. Sendo freqüentemente muito útil para o povo o uso da língua vernácula na administração dos Sacramentos e Sacramentais, dê-se-lhe lugar mais amplo, conforme as seguintes normas:

a) Na administração dos Sacramentos e Sacramentais pode-se empregar a língua vernácula de acordo com a norma do art. 36.

b) Conforme a nova edição do Ritual Romano, trate a competente autoridade eclesiástica territorial, da qual se fala no artigo 22 § 2 desta Constituição, de preparar quanto antes os Rituais Particulares, acomodados as necessidades de cada região, também quanto a língua. Aprovados pela Santa Sé, apliquem-se depois nas regiões a que se destinam. Na redação destes Rituais ou coleções particulares de ritos, não se omitam as instruções que no Ritual Romano precedem a cada rito, tanto as pastorais e de rubricas, como as que têm especial importância comunitária.

[Restauração do Catecumenato]

64. Restaure-se o catecumenato dos adultos dividido em diversas etapas, introduzindo-se o uso de acordo com o parecer do Ordinário do lugar. Desta maneira, o tempo do catecumenato, estabelecido para a conveniente instrução, poderá ser santificado com os sagrados ritos a serem celebrados em tempos sucessivos.

[Elementos de Iniciação Tomados da Tradição dos Povos]

65. Nas Missões, além do que existe na tradição cristã, seja também lícito admitir os elementos de iniciação que se encontram em cada povo, na medida em que possam ser acomodados ao rito cristão, a norma dos artigos 37-40 desta Constituição.

[Reforma dos Ritos Batismais]

66. Revejam-se ambos os ritos do batismo de adultos, tanto o mais simples como o solene, tendo em conta a restauração do catecumenato. No Missal romano inclua-se uma missa própria “In collatione Baptismi” (para a administração do Batismo).
67. O rito de Batismo das crianças seja revisto e acomodado a verdadeira condição das crianças. Também o papel dos pais e padrinhos bem como suas obrigações sejam expressas com mais clareza dentro do próprio rito.
68. Para o caso de batismos numerosos devem figurar no rito batismal as necessárias adaptações, usadas de acordo com o parecer do Ordinário do lugar. Da mesma forma prepare-se um rito mais breve, que possam usar, sobretudo nas Missões, os catequistas e em perigo de morte os fiéis em geral, se não houver padre ou diácono.
69. Em lugar do chamado “Ordo supplendi omissa super infantem baptizatum” elabore-se outro rito pelo qual se mostre mais clara e conveniente que a criança já foi recebida no seio da Igreja por um batismo administrado com o rito mais breve.
Da mesma forma faça-se um novo rito para os validamente batizados que se convertem a doutrina católica, pelo qual se mostre que são admitidos a comunhão da Igreja.

[Bênção da Água Batismal]

70. Fora do tempo pascal pode-se benzer a água batismal dentro do próprio ato do batismo usando-se fórmula aprovada e mais breve.

[ Rito da Confirmação]

71. Seja revisto também o rito da Confirmação para mais claramente aparecer a íntima conexão deste Sacramento com toda a iniciação cristã. Por este motivo é muito conveniente que a renovação das promessas do Batismo preceda a recepção deste Sacramento.
Segundo as circunstâncias, a Confirmação pode ser conferida dentro da missa. Para o rito de administração da Confirmação fora da missa, prepare-se uma fórmula que sirva como introdução.

[Rito da Penitência]

72. O rito e as fórmulas da Penitência sejam revistos de tal forma que exprimam mais claramente a natureza e o efeito deste Sacramento.

[Unção dos Enfermos: Nome e Natureza]

73. A “Extrema-Unção”, que também e melhor pode ser chamada “Unção dos Enfermos”, não é um Sacramento só daqueles que estão nas vascas da morte. Portanto, tempo oportuno para receber a Unção dos Enfermos é certamente o momento em que o fiel começa a correr perigo de morte, por motivo de doença ou de idade avançada.

[Rito Conjunto dos Sacramentos dos Enfermos]

74. Além dos ritos separados da Unção dos Enfermos e do Viático, faça-se um rito conjunto pelo qual se administre a unção ao enfermo depois da confissão e antes da recepção do Viático.

[Rito da Unção dos Enfermos]

75. O número de unções se acomode as circunstâncias. As orações que acompanham a cerimônia de Unção dos Enfermos sejam revistas a fim de corresponderem as várias condições dos enfermos que recebem este Sacramento.

[A Revisão do Rito da Ordenação]

76. Os ritos das Ordenações sejam revistos, tanto no que toca as cerimônias ao texto. As alocuções do Bispo no início de cada Ordenação ou consagração podem ser feitas em vernáculo.
Na Sagração Episcopal a imposição das mãos pode ser feita por todos os Bispos presentes.

[Rito do Matrimônio]

77. O rito do Matrimônio, que se encontra no Ritual Romano, seja revisto e enriquecido. Deve mostrar mais claramente a graça do Sacramento e inculcar as obrigações dos cônjuges.
“Se alguns países têm outros louváveis costumes e cerimônias para a celebração do Matrimônio, o Santo Sínodo deseja ardentemente que de todo se conservem”.¹
No mais, a competente autoridade eclesiástica territorial, da qual se trata no artigo 22 § 2 desta Constituição, tem a faculdade de elaborar, à norma do art. 63, um rito próprio conforme aos usos dos lugares e do povo. Contudo, fica de pé que o sacerdote assistente indague e receba o consenso dos contraentes.

[A Celebração do Matrimônio]

78. Habitualmente, celebre-se o Matrimônio dentro da missa, após a leitura do Evangelho e homilia, antes da “oração dos fiéis”. A oração sobre a noiva seja convenientemente revista, a fim de inculcar os deveres comuns de mútua fidelidade de ambos os esposos. Poderá ser dita em vernáculo.
Se o Matrimônio for celebrado fora da Missa, leia-se no início a Epístola e o Evangelho da Missa para os esposos. A bênção aos esposos seja sempre dada.

[Revisão dos Sacramentais]

79. Os Sacramentais sejam revistos, tendo-se em conta a norma básica de que a participação dos fiéis seja consciente, ativa e fácil, e atendendo-se também as necessidades dos nossos tempos. Nos rituais a serem revistos, conforme o art. 63, podem ser acrescentados novos Sacramentais, segundo a exigência das necessidades.
As bênçãos reservadas sejam poucas, e só em favor dos Bispos ou ordinários.
Providencie-se que alguns Sacramentais, ao menos em circunstâncias especiais e com o parecer do Ordinário, possam ser administrados por leigos dotados de convenientes qualidades.

[O Rito da Profissão Religiosa]

80. O Rito de Consagração das Virgens, incluído no Pontifical Romano, seja sujeito a uma revisão.
Prepare-se além disso um rito de profissão religiosa e de renovação dos votos, que contribua para maior unidade, sobriedade e dignidade, a ser observado por aqueles que fazem a profissão ou a renovação dos votos durante a missa, salvo o caso de direito particular
É louvável que a profissão religiosa se faça dentro da missa.

[O Ordo das Exéquias]

81. O rito das exéquias deve exprimir mais claramente a índole pascal da morte cristã. E corresponda ainda melhor as condições e tradições das diversas regiões, também com relação a cor litúrgica.

[Exéquias das Crianças]

82. Reveja-se o rito do enterro das crianças, e dê-se-lhe uma missa própria.

CAPÍTULO IV: O OFÍCIO DIVINO

[Proêmio (83-87)]

83. O Sumo Sacerdote do Novo e eterno Testamento, Cristo Jesus, assumindo a natureza humana, trouxe para esse exílio terrestre aquele hino que é cantado por todo o sempre nas habitações celestes. Ele associa a Si toda a comunidade dos homens, e une-a consigo na celebração deste divino cântico de louvor.
Com efeito, Ele continua aquela função sacerdotal através de Sua Igreja, que não somente pela celebração da Eucaristia, mas também por outros modos, particularmente rezando o Ofício divino, louva sem cessar o Senhor e intercede pela salvação de todo o mundo.

84. Por antiga tradição cristã o Ofício Divino esta constituído de tal modo que todo o curso do dia e da noite seja consagrado pelo louvor de Deus. Quando, pois, os sacerdotes e as outras pessoas delegadas por vontade da Igreja para esse fim, ou os fiéis em união com o sacerdote executam religiosamente aquele admirável cântico de louvor, rezando em forma aprovada, então, verdadeiramente, é a voz da própria Esposa, que fala com o Esposo, ou melhor, é a oração de Cristo, com Seu próprio Corpo, ao Pai.

85. Por conseguinte, todos os que exercem essa função, não somente satisfazem o Ofício da Igreja, como também participam da honra suprema da Esposa de Cristo, porquanto cantando os louvores a Deus estão diante de Seu trono em nome da Mãe Igreja.

86. Os sacerdotes, ocupados no sagrado ministério pastoral, rezarão os louvores das Horas com tanto maior fervor, quanto mais vivamente estiverem cônscios de que devem observar a exortação de Paulo: “Orai sem cessar” (1 Tess 5,17). Porquanto só o Senhor que disse: “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5) pode dar eficácia e incremento a obra na qual trabalham. Por esta razão os Apóstolos, ao instituírem os diáconos, disseram: “Nós, porém, atenderemos sem cessar a oração e ao ministério da palavra” (At 6,4).

87. Para que, no entanto, o Ofício divino, nas condições da vida, moderna, seja melhor e mais perfeitamente recitado, quer pelos sacerdotes, quer pelos demais membros da Igreja, e prosseguindo a reforma iniciada em boa hora pela Sé Apostólica, pareceu bem ao sacrossanto Concílio decretar o seguinte sobre o Ofício do rito romano:

[O Curso das Horas]

88. Sendo a santificação do dia a finalidade do Ofício, o tradicional curso das Horas seja reformado de tal forma que, na medida do possível, voltem as Horas a realidade do tempo. Simultaneamente tomem-se em consideração as condições da vida hodierna, nas quais se encontram principalmente os que se entregam as lides apostólicas.

89. Por isso, na reforma do Ofício observem-se as seguintes normas:

a) As Laudes, como preces matutinas, e as Vésperas, como preces da tarde, segundo a venerável tradição de toda a Igreja, dois gonzos do Ofício cotidiano, sejam tidas como as Horas principais e assim sejam celebradas;
b) O Completório seja estruturado de tal modo que se preste adequadamente ao fim do dia;
c) A Hora chamada Matinas, embora conserve no coro a índole de louvor noturno, receba tais acomodações que possa ser recitada em qualquer hora do dia, e conste de menos salmos e de lições mais extensas;
d) A prima seja suprimida;
e) Em coro, conservem-se as Horas menores de Terça, Sexta e Noa. Fora do coro é lícito escolher uma das três, que for mais de acordo com a hora do dia.

90. Sendo, além disso, o Ofício divino, como oração pública da Igreja, fonte de piedade e alimento da oração pessoal, são exortados os sacerdotes e todos os demais que tomam parte na recitação do Ofício divino a que haja consonância entre as palavras e seu espírito e para esse fim adquiram um conhecimento litúrgico e bíblico mais amplo, principalmente dos Salmos.
Ao se fazer a reforma, porém, o venerável e secular tesouro do Ofício Romano seja adaptado de tal modo que mais larga e facilmente possam usufruir deles todos aos quais for entregue.

[Os Salmos]

91. Para que o curso das Horas, proposto no art. 89, possa realmente ser observado, os salmos não mais sejam distribuídos por uma semana, mas por um espaço mais longo de tempo.
O trabalho de revisão do Saltério, já iniciado, seja levado a termo o mais cedo possível, tendo-se o devido respeito pela língua latina cristã, pelo uso litúrgico inclusive no canto, bem como por toda a tradição da Igreja Latina.

[As Lições]

92. No que concerne as lições observe-se o seguinte:

a) A leitura da Sagrada Escritura seja ordenada de tal modo que os tesouros da palavra divina sejam acessíveis facilmente e em maior profusão.
b) As lições extraídas das obras dos Padres, Doutores e Escritores eclesiásticos sejam melhor selecionadas.
c) Devolva-se fidelidade histórica aos martírios ou as vidas dos Santos.

[Os Hinos]

93. Os hinos, o quanto parecer conveniente sejam restituídos a forma primitiva, e sejam retiradas ou mudadas aquelas coisas que sabem a mitologia ou são menos condizentes com a piedade cristã. Segundo a conveniência, introduzam-se também outros que se encontram no rico repertório hinológico.

[O Tempo da Recitação do Ofício Divino]

94. É aconselhável, tanto para santificar de fato o dia, quanto para recitar com fruto espiritual as mesmas Horas, que na sua recitação se observe o tempo que se aproxime mais do tempo verdadeiro de cada Hora canônica.

[A Obrigação]

95. As comunidades obrigadas ao coro devem, além da Missa Conventual, celebrar o Ofício divino todos os dias em coro, a saber:

a) Todo o Ofício, as Ordens dos Cônegos, dos Monges e Monjas, e dos outros Regulares obrigados ao coro pelo direito comum ou pelas Constituições.
b) Os Cabidos catedrais ou colegiados, aquelas partes do Ofício que lhes são impostas pelo direito comum ou particular.
c) Todos os membros destas Comunidades que têm Ordens maiores ou fizeram a profissão solene devem recitar em particular as Horas que não recitam em coro. Estão excetuados os conversos.

96. Os clérigos não obrigados ao coro, se já tem Ordens maiores, são obrigados a recitar diariamente todo o Ofício, quer em comum, quer em particular, segundo a norma do art. 89.

97. Determinem as rubricas as oportunas comutações do Ofício divino com uma ação litúrgica.
Em casos particulares e por motivo justo os Ordinários podem dispensar os seus súditos, ou totalmente ou em parte, da obrigação de recitar o Ofício, ou comutá-la.

98. Os membros de qualquer Instituto de estado de perfeição, que, por força das Constituições, persolvem algumas partes do Ofício divino, fazem oração pública da Igreja.
Da mesma forma, fazem oração pública da Igreja, se por força das Constituições recitam algum Ofício Parvo, contanto que seja estruturado a modo de Ofício e seja legitimamente aprovado.

[O Ofício Divino no Coro ou em Comum]

99. Como o Ofício divino é a voz da Igreja, ou de todo o Corpo Místico que louva a Deus publicamente, exortam-se os clérigos não obrigados ao coro, e principalmente os sacerdotes, que convivem ou se reúnem, digam em comum ao menos alguma parte do Ofício divino.
Todos quantos rezam o Ofício quer em coro quer em comum, cumpram o mais perfeitamente possível o encargo a eles confiado, tanto na devoção interna da alma quanto na maneira externa de proceder.
É conveniente outrossim que o Ofício, em coro ou em comum, seja oportunamente cantado.

[A Participação dos Fiéis no Ofício Divino]

100. Cuidem os pastores de almas que as Horas principais, especialmente as Vésperas, nos domingos e dias de festas mais solenes, sejam celebradas em comum na Igreja. Recomenda-se que também os leigos recitem o Ofício divino, ou com os sacerdotes, ou reunidos entre si, e até cada um em particular.

[Da Língua a ser Usada na Recitação do Ofício Divino]

101. § 1. Segundo a tradição secular do rito latino, seja conservada a língua latina no Ofício divino para os clérigos. Concede-se, porém, ao Ordinário a faculdade de permitir, caso por caso, o uso de uma tradução vernácula, feita segundo a noram do art. 36, aos clérigos para os quais o uso da língua latina é um grave impedimento na recitação devida do Ofício.

§ 2. As monjas, como também aos membros quer homens não clérigos, quer mulheres, de Institutos dos estados de perfeição, pode ser concedido pelo Superior competente que usem a língua vernácula no Ofício divino, também celebrado em coro, contanto que seja em versão aprovada.

§ 3. Todo clérigo obrigado ao Ofício divino, quando celebra em língua vernácula o Ofício com a comunidade dos fiéis ou com as pessoas a que se refere o § 2, satisfaz sua obrigação, contanto que o texto da versão seja aprovado.

¹ Conc. De Trento, Sessão XXIV, Decreto De Reformatione, c. 1: Concilium tridentinum, ed. cit., t. IX, Actorum pars VI, Friburgo em Br. 1924. Cf. Ritual Romano, tit. VIII, c. II, n. 6.

CAPÍTULO V: O ANO LITÚRGICO

[Proêmio (102-105)]

102. A Santa Mãe Igreja julga seu dever celebrar em certos dias no decurso do ano, com piedosa recordação, a obra salvífica de seu divino Esposo. Em cada semana, no dia que ela chamou Domingo, comemora a Ressurreição do Senhor, celebrando-a uma vez também, na sociedade máxima da Páscoa, juntamente com sua sagrada Paixão.
No decorrer do ano, revela todo o Mistério de Cristo, desde a Encarnação e Natividade até a Ascensão, o dia de Pentecostes e a expectação da feliz esperança e vinda do Senhor.
Relembrando destarte os Mistérios da Redenção, franqueia aos fiéis as riquezas do poder santificador e dos méritos de seu Senhor, de tal sorte que, de alguma forma, os torna presentes em todo o tempo, para que os fiéis entrem em contato com eles e sejam repletos da graça da salvação.

103. Nesta celebração anual dos mistérios de Cristo, a Santa Igreja venera com especial amor a Bem-aventurada Mãe de Deus Maria, que por um vínculo indissolúvel esta unida a obra salvífica de seu Filho; nela admira e exalta o mais excelente fruto da Redenção e a contempla com alegria como uma puríssima imagem daquilo que ela mesma anseia e espera ser.

104. No decorrer do ano a Igreja inseriu ainda as memórias dos Mártires e dos outros santos, que, conduzidos a perfeição pela multiforme graça de Deus e recompensados com a salvação eterna, cantam nos céus o perfeito louvor de Deus e intercedem em nosso favor. Pois nos natalícios dos Santos prega o mistério pascal vivido pelos Santos que com Cristo sofreram e foram glorificados e propõe seu exemplo aos fiéis, para que atraia por Cristo todos ao Pai e por seus méritos impetre os benefícios de Deus.

105. Enfim, nos vários tempos do ano, segundo as instituições tradicionais, a Igreja aperfeiçoa a formação dos fiéis por piedosos exercícios da alma e do corpo, pela instrução, pela oração e pelas obras de penitência e misericórdia. Por isso aprove ao Sacrossanto Concílio determinar o que se segue.

[Reforma do Ano Litúrgico. O Domingo]

106. Devido a tradição apostólica que tem sua origem do dia mesmo da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra cada oitavo dia o Mistério Pascal. Esse dia chama-se justamente dia do Senhor ou domingo. Neste dia, pois, os cristãos devem reunir-se para, ouvindo a palavra de Deus e participando da Eucaristia, lembrarem-se da Paixão, Ressurreição e Glória do Senhor Jesus e darem graças a Deus que os “regenerou para a viva esperança, pela Ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos” (1 Ped 1,3). Por isso, o domingo é um dia de festa primordial que deve ser lembrado e inculcado a piedade dos fiéis, de modo que seja também um dia de alegria e de descanso do trabalho. As outras celebrações não se lhe anteponham, a não ser que realmente sejam de máxima importância, pois que o domingo é o fundamento e o núcleo do ano litúrgico.

[Do Ano Litúrgico em Geral]

107. O ano litúrgico seja assim revisto que, observadas ou restituídas as tradições e normas dos sagrados tempos, conforme as condições de nossa época, se conserve a sua índole original, a fim de alimentar devidamente a piedade dos fiéis nas celebrações dos mistérios da Redenção cristã, principalmente pelo mistério pascal. As acomodações contudo, conforme as condições dos lugares, caso forem necessárias, façam-se a norma dos arts. 39 e 40.

[O Próprio do Tempo]

108. As atenções seja dirigidas principalmente para as festas do Senhor, nas quais se celebram, durante o ano, os mistérios da salvação. Pelo que o Próprio do Tempo obtenha seu devido lugar acima das festas dos Santos, a fim de que o ciclo integral dos mistérios da salvação seja convenientemente recordado.

[O Tempo da Quaresma]

109. Tanto na liturgia quanto na catequese litúrgica esclareça-se melhor a dupla índole do tempo quaresmal, que, principalmente pela lembrança ou preparação do Batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais freqüência a palavra de Deus e entregarem-se a oração, os dispõe a celebração do mistério pascal. Por isso:

a) Utilizem-se com mais abundância os elementos batismais próprios da liturgia quaresmal. Segundo as circunstâncias, restaurem-se certos elementos de tradição anterior.
b) O mesmo diga-se dos elementos penitenciais. Quanto a catequese, seja inculcada na alma dos fiéis, juntamente com as conseqüências sociais do pecado, a natureza própria da penitência que detesta o pecado como ofensa feita a Deus. Na ação penitencial não se omitam as partes da Igreja nem se deixe de urgir a oração pelos pecadores.

[Restitua-se a Praxe da penitência Quaresmal]

110. A penitência do tempo quaresmal não seja somente interna e individual, mas também externa e social. A praxe da penitência, porém, seja fomentada segundo as possibilidades do nosso tempo e das diversas regiões, como também segundo as condições dos fiéis e seja recomendada pelas autoridades de que se fala no art. 22.
Todavia, sagrado seja o jejum pascal, a se observar na Sexta-Feira da Paixão e Morte do Senhor e, se for oportuno, a se estender também ao Sábado Santo, a fim de que se chegue com o coração livre e aberto as alegrias do Domingo da Ressurreição.

[O Culto dos Santos]

111. Os Santos sejam cultuados na Igreja segundo a tradição. Suas relíquias autênticas e imagens sejam tidas em veneração. Pois as festas dos Santos proclamam as maravilhas de Cristo operadas em Seus servos e mostram aos fiéis os exemplos oportunos a serem imitados.
Que as festas dos Santos não prevaleçam sobre as que recordam os mistérios da salvação. Muitas destas festas sejam deixadas a celebração de alguma Igreja particular, Nação ou Família Religiosa, estendendo-se somente a Igreja toda aquelas que comemoram os Santos que manifestam de fato importância universal.

CAPÍTULO VI: A MÚSICA SACRA

[Proêmio]

112. A tradição musical da Igreja inteira constitui um tesouro de inestimável valor. Ocupa, entre as demais expressões da arte, um lugar proeminente, principalmente porque o canto sacro, que se acomoda às palavras, faz parte necessária ou integrante da liturgia solene.
Na verdade, cumularam de louvores o canto sacro, tanto a Sagrada Escritura¹ quanto os Santos Padres e os Romanos Pontífices, que recentemente, a começar por São Pio X, definiram mais claramente a função ministerial da música sacra no culto do Senhor.
Por esse motivo a música sacra será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver ligada a ação litúrgica, quer exprimindo mais suavemente a oração, quer favorecendo a unanimidade, quer, enfim, dando maior solenidade aos ritos sagrados. A Igreja aprova e admite no culto divino todas as formas de verdadeira arte, contanto que estejam dotadas das devidas qualidades.
O Sacrossanto Concílio, portanto, observando as normas e os preceitos da tradição e disciplina eclesiástica e atendendo a finalidade da música sacra, que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis, estatui o seguinte:

[A Solene Liturgia Ocupa Lugar de Proeminência]

113. A ação litúrgica recebe uma forma mais elevada quando os Ofícios divinos são celebrados com canto e neles intervêm os ministros sacros e o povo participa ativamente.
Quanto a língua a ser usada observe-se o disposto no art. 36; quanto a missa, o art. 54; quanto aos sacramentos, o art. 63; quanto ao Ofício divino, o art. 101.

[A Participação dos Fiéis nunca seja Excluída]

114. O tesouro da música sacra seja conservado e favorecido com suma diligência. Sejam assiduamente incentivadas as “Scholae cantorum”, principalmente junto as Igrejas catedrais. Os Bispos e os demais pastores de almas cuidem com diligência que, em todas as funções sacras realizadas com canto, toda a comunidade dos fiéis possa oferecer a participação que lhe é própria, de acordo com as normas dos arts. 28 e 30.

[Formação Musical]

115. Tenha-se em grande consideração nos seminários, nos noviciados dos religiosos e nas casas de estudos de ambos os sexos, e nos demais institutos e escolas católicas a formação e a prática musical. Para adquirir tal formação, os mestres indicados para ensinar música sacra sejam cuidadosamente preparados.
Recomenda-se, sobretudo, a ereção, segundo as circunstâncias, de Institutos Superiores de Música Sacra.
Aos compositores, aos cantores e principalmente aos meninos cantores seja dada uma genuína formação litúrgica.

[O Canto Gregoriano e Polifônico]

116. A Igreja reconhece o canto gregoriano como próprio da liturgia romana. Portanto, em igualdade de condições, ocupa o primeiro lugar nas ações litúrgicas.
Os outros gêneros de música sacra, especialmente a polifonia, não são absolutamente excluídos da celebração dos ofícios divinos, contanto que se harmonizem com o espírito da ação litúrgica, de acordo com as normas do art. 30.

[Edições Típicas de Livros de Canto Gregoriano]

117. Seja completada a edição típica dos livros de canto gregoriano; e mais, prepare-se edição mais crítica dos livros já editados depois da reforma de S. Pio X.
É conveniente também que se prepare edição contendo musicas mais simples para o uso de igrejas menores.

[O Canto Religioso Popular]

118. O canto popular religioso seja inteligentemente incentivado, de modo que os fiéis possam cantar nos pios e sagrados exercícios e nas próprias ações litúrgicas, de acordo com as normas e prescrições da rubricas.

[A Música Sacra nas Missões]

119. havendo em algumas regiões, principalmente nas Missões, povos que tem uma tradição musical própria, a qual desempenha importante função em sua vida religiosa e social, a esta musica se dêem a devida estimação e o lugar conveniente, tanto para lhes formar o senso religioso, quanto para adaptar o culto à sua mentalidade, de acordo com os arts. 39 e 40.
Por isso cuide-se com diligência, na formação musical dos missionários, que, na medida do possível, possam promover a música tradicional dos nativos tanto nas escolas, como nos atos sacros.

[O órgão e instrumentos musicais]

120. Tenha-se na Igreja Latina em grande consideração o órgão de tubos, como instrumento tradicional de musica, cujo som pode acrescentar as cerimônias admirável esplendor e elevar com veemência as mentes a Deus e as coisas divinas.
Outros instrumentos podem ser admitidos ao culto divino, a juízo e com o consentimento da autoridade territorial competente, a norma dos artigos 22 § 2, 37 e 40, contanto que sejam adequados ao uso sacro, ou possam a ele se adaptar, condigam com a dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis.

[Compositores e suas Produções]

121. Imbuídos do espírito cristão, compenetrem-se os compositores que estão chamados para cultivar a musica sacra e para aumentar-lhe o tesouro.
Componham porém, melodias que apresentem as características da verdadeira musica sacra, e que possam ser cantadas não só pelos grandes coros, mas que também estejam ao alcance dos modestos e favoreçam a participação ativa de toda a comunidade dos fiéis.
Os textos destinados aos cantos sacros sejam conformes a doutrina católica, e sejam tirados principalmente da Sagrada Escritura e das fontes litúrgicas.
¹ Cf. Ef 5,129; Col 3,16.

CAPÍTULO VII: A ARTE SACRA E AS SAGRADAS ALFAIAS

[Proêmio]

122. Entre as mais nobres atividades do espírito humano contam-se com todo o direito as belas-artes, principalmente a arte religiosa e a sua melhor expressão, a arte sacra. Por sua própria natureza estão relacionados com a infinita beleza de Deus a ser expressa de certa forma pelas obras humanas. Tanto mais podem dedicar-se a Deus, a seu louvor e a exaltação de sua glória, quanto mais distantes estiverem de todo propósito que não seja o de contribuir poderosamente na sincera conversão dos corações humanos a Deus.
Por isso a Santa Mãe Igreja sempre foi amiga das belas artes. Procurou continuamente o seu nobre ministério e instruiu os artífices, principalmente para que os objetos pertencentes ao culto divino fossem dignos, decentes e belos, sinais e símbolos das coisas do alto. Até a Igreja se considerou, com razão, juiz sobre elas, julgando entre as obras de arte quais convinham a fé, a piedade, as leis religiosamente estabelecidas e quais eram consentâneas ao uso sagrado.
Com especial zelo a Igreja cuidou que as sagradas alfaias servissem digna e belamente ao decoro do culto, admitindo aquelas mudanças ou na matéria ou na forma, ou na ornamentação que o progresso da técnica da arte trouxe no decorrer dos tempos.
Por isso acerca destas coisas os Padres acharam por bem estabelecer o seguinte.

[A Igreja Admite todo Estilo de Arte]

123. A Igreja nunca considerou seu nenhum estilo de arte, mas conforme a índole dos povos e as condições e necessidades dos vários Ritos admitiu as particularidades de cada época, criando no curso dos séculos um tesouro artístico digno de ser cuidadosamente conservado. Também em nossos dias e em todos os povos e regiões a arte de livre exercício na Igreja, contanto que, com a devida reverência e honra, sirva aos sagrados templos e as cerimonias sacras: de tal sorte que os grandes homens cantaram a fé católica nos séculos passados.

[Liberdade Artística Controlada pela sua Finalidade]

124. Cuidem os Ordinários que, promovendo e incentivando a arte verdadeiramente sacra, visem antes a nobre beleza que a mera suntuosidade. O que se há de entender também das vestes sacras e dos ornamentos.
Tomem providências os Bispos que as obras de arte, que repugnam a fé e aos costumes, a piedade cristã e ofendem o verdadeiro senso religioso quer pela deturpação das formas, quer pela insuficiência, mediocridade e simulação da arte, sejam cuidadosamente retiradas das casas de Deus e dos demais lugares sagrados.
Ao se construírem igrejas, cuide-se, diligentemente, que sejam funcionais, tanto para a celebração ativa dos fiéis.

125. Firme permaneça a costume de propor nas igrejas as sagradas imagens a veneração dos fiéis; contudo, sejam expostas com moderação quanto ao número, com conveniência quanto a ordem, para que não causem admiração ao povo cristão nem favoreçam devoções menos corretas.

[Vigilância dos Bispos]

126. No julgamento das obras de arte os Ordinários do lugar consultem a Comissão Diocesana de Arte Sacra. Se for o caso, outros eminentes peritos, bem como as Comissões de que falam os artigos 44, 45, 46.
Diligentemente vigiem os Ordinários que as sagradas alfaias ou obras preciosas, ornamentos que são da casa de Deus, não sejam alienadas nem destruídas.

[Formação dos Artistas]

127. Os Bispos, por si ou por sacerdotes idôneos dotados de competência e amor a arte, interessem-se pelos artistas, para imbuí-los do espírito da Arte Sacra e da Sagrada Liturgia.
Além disso, recomenda-se que, naquelas regiões onde parecer conveniente, se instituam Escolas ou Academias de Arte Sacra para a formação dos artistas.
Os artistas todos, que, levados por seu gênio, querem servir na Santa Igreja a glória de Deus, sempre se lembrem de que se trata de certa forma da sagrada imitação de Deus Criador, e que suas obras se destinam ao culto católico, a edificação dos fiéis, bem como a piedade e a instrução religiosa deles.

[Revisão da Legislação sobre Arte Sacra]

128. Revejam-se quanto antes juntamente com os livros sacros, de acordo com a norma do art. 25, os cânones e os estatutos eclesiásticos que dizem respeito as coisas externas pertencentes a preparação do culto sagrado, principalmente quanto a digna e funcional construção das Igrejas, a forma e edificação dos altares, a nobreza, disposição e segurança do tabernáculo eucarístico, a funcionalidade e dignidade do batistério, bem como a ordem razoável das sagradas imagens, da decoração e ornamentação. O que parecer convir menos a litúrgia reformada, seja emendado ou abolido; o que, porém, a favorecer, seja mantido ou introduzido.
Neste assunto, nomeadamente quanto à matéria e forma dos objetos sagrados e da indumentária, concedam-se faculdades as Conferências dos Bispos de adaptar estas coisas as necessidades e costume do lugar, conforme o disposto no art. 22 desta Constituição.

[Instrução do Clero na Arte Sacra]

129. Os Clérigos, enquanto estudam Filosofia e Teologia, sejam também instruídos na história da Arte Sacra e de sua evolução, bem como acerca dos sãos princípios por que se devem reger as obras de arte de tal forma que apreciam e conservem os veneráveis monumentos da Igreja e possam orientar os artistas na produção de suas obras.

[Uso dos pontificais]

130. Convém que o uso de Pontificais seja reservado aqueles eclesiásticos que ou gozam de caráter episcopal ou de alguma jurisdição especial.

APÊNDICE

DECLARAÇÃO DO CONCÍLIO VATICANO II
ACÊRCA DA REVISÃO DO CALENDÁRIO

O Sacrossanto Concílio Ecumênico Vaticano II, julgando serem de grande importância os desejos de muitos de fixar a festa da Páscoa num determinado domingo e de estabelecer um calendário fixo, tendo considerado com diligência tudo o que pode resultar da introdução do novo calendário, declara o seguinte:

1. O Sacrossanto Concílio não se opõe a que a festa da Páscoa seja fixada num domingo certo do Calendário Gregoriano, com o consentimento dos interessados, principalmente os irmãos separados da comunhão com a Sé Apostólica.

2. Da mesma forma, o Sacrossanto Concílio declara que não se opõe as iniciativas que visam introduzir um calendário perpétuo para a sociedade civil
Dos vários sistemas, porém, que se escogitarem para estabelecer um calendário perpétuo e introduzi-lo na sociedade civil, a Igreja só não se opõe aqueles que conservam e guardam a semana de sete dias com o domingo, não intercalando nenhum dia fora da semana, de forma que se deixe intacta a sucessão das semanas, a não ser que se apresentem gravíssimas razões, sujeitas a consideração da Sé Apostólica.

[Promulgação]

Todo o conjunto e cada um dos pontos que foram enunciados nesta Constituição agradaram aos Padres do Sacrossanto Concílio.
E Nós, pela Autoridade Apostólica por Cristo a Nós confiada, juntamente com os Veneráveis Padres, no Espírito Santo as aprovamos, decretamos e estatuímos. Ainda ordenamos que o que foi assim determinado em Concílio seja promulgado para a glória de Deus.

Roma, junto de São Pedro,
no dia 4 de dezembro de 1963.
Eu Paulo, Bispo da Igreja Católica.
Seguem as assinaturas dos Padres Conciliares.

 

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CARTA PASTORAL DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL

 “O ESPÍRITO SANTO, SENHOR QUE DÁ A VIDA”        

I. INTRODUÇÃO

     

1. O segundo ano do triénio preparatório do Grande Jubileu é dedicado de modo particular ao Espírito Santo. Por isso, em continuidade com o itinerário pastoral e espiritual apresentado na nossa Carta Pastoral sobre Jesus Cristo, Nosso Salvador e Senhor, propomos agora aos fiéis a meditação sobre o Espírito Santo, que conduz a Igreja ao pleno conhecimento do Verbo Encarnado.

Para a Terceira Pessoa Divina se dirige o coração da Igreja, na perspectiva do Terceiro Milénio. Como escreve João Paulo II, “a concepção e o nascimento de Jesus Cristo são a obra maior realizada pelo Espírito Santo na história da criação e da salvação: a graça suprema, fruto de todas as outras graças. O grande Jubileu relaciona-se com esta graça e também com o artífice da mesma, a Pessoa do Espírito Santo.2 Aquilo que “na plenitude dos tempos” se realizou pelo seu poder, só por obra sua pode agora surgir na memória da Igreja. É Ele quem actualiza, torna viva e eficaz no coração dos crentes a única Revelação trazida por Jesus Cristo.

2. Com esta Carta, em comunhão com João Paulo II, pretendemos dar algumas orientações para o ano pastoral de 1997-98. Desejamos, em primeiro lugar, ajudar a redescobrir a presença e acção do Espírito Santo que renova a Igreja e cada um dos fiéis a partir de dentro. Ele é o agente principal da nova evangelização. De muitas maneiras, sobretudo pelo sacramento da Confirmação, impele-nos a testemunhar a fé e a anunciar a Boa Nova. Ele é o “guarda da esperança no coração humano”6 e a força de unidade na Igreja e no Mundo. E queremos, também contribuir para que se intensifique e purifique a devoção ao Divino Espírito Santo, gravada com muito relevo no coração dos portugueses, que a levaram às terras por eles descobertas e evangelizadas.

3. O Espírito Santo é o Espírito de Jesus. O seu dom à Igreja é um enriquecimento do espírito humano. Nos dias de hoje, entre nós e na cultura europeia, em geral, a própria dimensão espiritual aparece como problemática. A palavra “espírito” provoca resistências devido a certos preconceitos, de natureza ideológica uns, de índole emocional outros. Brotam daí mal-entendidos e uma visão reducionista da fé cristã e da própria vida humana. Desta carência de “espírito” resulta para muitos dos nossos contemporâneos uma sensação de vazio, de íntima insatisfação por viverem uma vida sem sentido, incapazes de atingir a felicidade. Carecem de razões para viver, para trabalhar, para amar. A Igreja responde a esta situação sublinhando o primado da dimensão espiritual do homem: não nega o sentido das realidades corpóreas, antes as assume como expressão do próprio espírito e as projecta para uma dimensão transcendente. Por outras palavras: eleva, dignifica e conduz à plenitude de tudo o que é humano. Mais ainda: ela reafirma a sua fé no Divino Espírito Santo, que torna presente no meio de nós o mistério de Jesus Cristo, plenitude do Homem.  É graças à assistência perene do Espírito, que a Igreja proclama a ressurreição do Senhor como a esperança da humanidade, como verdade que vence o erro, como vida que supera a morte, como justiça e paz que derrotam o ódio e a violência, como a única libertação capaz de transformar as pessoas e as estruturas sociais.

II. PRESENÇA E ACÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

Deus Uno e Trino

4. Falar do Espírito Santo é mergulhar no mistério do Pai e do Filho. A fé cristã está plenamente embebida do mistério da Trindade. Deus é por essência Uno e Trino. “Quando digo Deus, entendo o Pai, o Filho e o Espírito Santo”.  E toda a ação de Deus - em ordem à criação, à salvação, à vida eterna - é também um ato trinitário. “O Pai é o princípio de tudo, o Filho é aquele que atualiza, o Espírito é o que leva tudo à plenitude. Tudo subsiste por vontade do Pai, tudo chega a ser mediante o ato do Filho; tudo recebe a perfeição com a presença do Espírito Santo”.

O Espírito Santo, revelado e comunicado por Jesus Cristo, é uma Pessoa distinta de Cristo e do Pai. Por isso, Jesus fala do Espírito Santo empregando com frequência o pronome pessoal “Ele”: “O Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará no meu nome, Ele vos ensinará tudo e vos recordará quanto vos disse” (Jo 14, 26); “Ele convencerá o mundo no referente ao pecado” (Jo 16, 8) ; “Quando Ele vier, guiar-vos-á para a verdade total” (Jo 16, 13) ; Ele dar-me-á glória” (Jo 16, 14) ; “Ele dará testemunho de mim”(Jo 15, 26) .

O Espírito Santo é um ser pessoal com um agir próprio, unido indissociavelmente ao Pai e ao Filho na mesma inefável natureza de Deus Uno e Trino. “Tudo o que tem o Pai, tem-no o Filho e tem-no o Espírito Santo. Nunca faltou na Trindade essa perfeita comunhão; nela são a mesma coisa ‘tudo possuir’ e ‘sempre existir’... Confessamos que a Trindade é um só Deus, já que nas três Pessoas não existe diferença - de substância, poder, vontade ou operação”.

Graças a essa mútua compenetração, todas as obras de Deus levam o selo da Trindade. Tudo “vem do Pai através do Filho no Espírito Santo”10 .

De igual modo, toda a experiência cristã é necessariamente trinitária. Mesmo quando nos dirigimos a Cristo na nossa oração, chegamos sempre ao Deus-Trindade. Efectivamente, não podemos dizer “Jesus é o Senhor” senão dizendo-o no Espírito Santo11; e Jesus, como mediador que é, não pode deixar de nos conduzir ao Pai. O Espírito Santo é a chave12, que abre a porta que é Cristo13 , a qual dá entrada para a casa que é o Pai14 . É Jesus quem nos revela o Pai e nos envia o Espírito Santo, que, por sua vez, nos faz mergulhar na relação que une o Pai e o Filho, conduzindo-nos à plenitude do “Deus-Abbá”. O Espírito revela-nos, pois, de modo existencial, a Santíssima Trindade e fá-la viver em nós.

O Espírito atualiza e aprofunda o mistério de Cristo.

5. Concebido pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, Jesus proclama ser Aquele que possui a plenitude do Espírito: “O Espírito do Senhor está sobre mim. Ungiu-me para anunciar a boa nova aos pobres” (Lc 4, 18). Já antes fora “conduzido pelo Espírito ao deserto” (Lc 4, 1) e João Baptista o elevara aos olhos de Israel como Messias, isto é, “Ungido” pelo Espírito Santo. O testemunho de João foi corroborado por outro testemunho superior: “Abriu-se o céu e o Espírito Santo desceu sobre ele” (Lc 3, 21-22)15 ; e, simultaneamente, ouviu-se uma voz que dizia: ‘Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências’”(Mt 3, 17). A atividade de Jesus será toda desenvolvida com a presença do Espírito Santo16 . Após o regresso dos setenta e dois discípulos, enquanto relatavam os frutos do seu trabalho, “Jesus exultou de alegria sob a ação do Espírito Santo” (Lc 10, 21)17 . Na última Ceia, Jesus revela mais claramente o mistério do Espírito Santo e promete enviá-lo de pois de voltar para o Pai, como o Consolador a recordar quanto Jesus ensinara (cf. Jo 14, 15-26).

O Espírito na Igreja

6. Durante o ministério terrestre de Jesus, o Espírito Santo estava como que todo “concentrado” n'Ele. Do seio dos discípulos ainda não corriam “torrentes de água viva, como diz a Escritura. Jesus falava do Espírito que deviam receber os que n'Ele acreditassem; pois o Espírito ainda não viera, por Jesus não ter ainda sido glorificado” (Jo 7, 39) .

A morte e a ressurreição de Jesus tornam possível o envio do Espírito Santo: através da humanidade glorificada de Jesus, o Espírito invade o seu Corpo místico, que é a Igreja. E esta, no dia do Pentecostes, aparece publicamente diante da multidão. Começa o tempo da Igreja18, a qual vive, opera e cresce por obra do Espírito Santo.

 “Sem o Espírito Santo, Deus está longe; Cristo permanece no passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja, uma simples organização; a autoridade, despotismo; a missão, propaganda; o culto, uma evocação; e a vida cristã, uma moral de escravos. Mas, no Espírito Santo e em permanente comunhão com Ele, o cosmos fica elevado e geme na gestação do Reino; o homem luta contra a ‘carne’; Cristo ressuscitado está presente; o Evangelho é poder e vida; a Igreja é ícone da comunhão trinitária; a autoridade, um serviço libertador; a missão, um novo pentecostes; a liturgia, memorial e antecipação; e toda a vida cristã fica deificada”19 .

7. O Espírito garante a fidelidade dos discípulos, a continuidade com a obra de Jesus Cristo. Muitos aspectos da verdade evangélica ficaram velados na primeira proclamação do Evangelho. A iluminação do Espírito, ao longo da história, fará emergir novos contornos da verdade. O dom da infalibilidade que permite à Igreja progredir na compreensão da verdade revelada, sem dela se afastar, é uma manifestação dessa luz do Espírito.

O Espírito torna possível a relação filial com o Pai. Pela sua força se eleva a oração da Igreja, e cada cristão se atreve a invocar a “Deus-Abbá”20 .

O Espírito Santo é o alma da evangelização. Como nos diz o Concílio Vaticano II, “o Senhor Jesus de tal maneira dispôs o ministério apostólico e prometeu enviar o Espírito Santo, que ambos ficaram associados na obra da salvação, a realizar sempre e em toda a parte”21 .

O Espírito e os sacramentos

8. Em virtude do Baptismo, primeiro sacramento da fé, a Vida, que tem a sua fonte no Pai e nos é oferecida no Filho, é-nos comunicada, íntima e pessoalmente, pelo Espírito Santo: “Somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus; tornamo-nos de Cristo e somos incorporados na Igreja e feitos participantes na sua missão”22 .

Devendo a vivência do Baptismo percorrer a vida inteira, o cristão mergulha cada dia na morte com Cristo, aceitando morrer para o egoísmo que o habita, para a negligência perante Deus e para a falta de amor fraterno. E, no mesmo instante, a vida nova faz a sua obra e prepara o seu pleno desenvolvimento.

 Pelo sacramento da Confirmação, os baptizados são mais perfeitamente vinculados à Igreja, enriquecidos com uma força especial do Espírito Santo e deste modo ficam obrigados a difundir e defender a fé por palavras e obras, como verdadeiras testemunhas de Cristo23 .

A Confirmação desencadeia, pois, no baptizado um duplo movimento: interiorização mais profunda da sua participação no mistério de Cristo; e exteriorização que leva ao testemunho e à profecia. É o sacramento da riqueza interior e do testemunho exterior; da maturidade espiritual e da fortaleza moral e apostólica.

Reportando-nos à Igreja dos Actos, diremos que o Baptismo torna operantes em nós a morte e a ressurreição do Senhor, e a Confirmação comunica-nos a graça do Pentecostes.

Precisamos de cristãos “confirmados”, que vivam na dupla esfera natural e sobrenatural, com ânsias de perfeição e de apostolado24 .

 A relação da Eucaristia com o Espírito Santo aparece bem clara nas palavras de Jesus, quando anunciava a instituição do sacramento do seu Corpo e Sangue: “O Espírito é que dá a vida; a carne não serve para nada” (Jo 6, 63) .

Quer a palavra quer o sacramento têm vida e eficácia operativa pelo Espírito Santo. Por isso, na Missa, a Igreja com a epiclese pede a santificação dos dons oferecidos sobre o altar. O misterioso poder do Espírito Santo converte sacramentalmente o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo, e irradia a graça nos participantes e em toda a Comunidade crente.

Em cada Eucaristia a Igreja é continuamente constituída na sua plenitude, pois, além de radicalizar a união dos cristãos a Cristo e em Cristo, recapitula nela, para além das suas fronteiras visíveis, a Humanidade salva em Cristo.

O Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia constituem o conjunto dos “sacramentos da iniciação cristã”, cuja unidade teológica e pastoral deve ser salvaguardada.

9. O perdão dos pecados cometidos depois do Baptismo é concedido por meio dum sacramento próprio, a Reconciliação (ou Penitência). Na tarde da Páscoa, o Senhor Jesus apareceu aos seus Apóstolos e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20, 22-23) .

As mesmas palavras podem referir-se ao sacramento da Unção dos Doentes, àcerca do qual lemos na Carta de São Tiago: “A oração da fé - juntamente com a unção realizada pelos presbíteros ‘no nome do Senhor’ - salvará o doente e o Senhor recebê-lo-á; se cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tg 5, 14-15).

A graça especial deste sacramento tem como efeitos: a união do doente à Paixão de Cristo; o conforto, a paz e a coragem para suportar cristãmente os sofrimentos da doença ou da velhice; o perdão dos pecados, se o doente não pôde recebê-lo pelo sacramento da Penitência; o restabelecimento da saúde, se tal for conveniente à sua salvação; a preparação para a passagem à vida eterna.

10. A graça do Espírito Santo própria do sacramento da Ordem é a de uma configuração a Cristo, sacerdote, mestre e pastor, de quem o ordenado é constituído ministro.

Para o bispo, é, em primeiro lugar, uma graça de fortaleza: a de guiar e defender, com força e prudência, a sua Igreja, como pai e pastor, com amor desinteressado para com todos e uma predilecção pelos pobres. Esta graça impele-o a anunciar o Evangelho a todos, a ser modelo do seu rebanho, a ir adiante dele no caminho da santificação, pronto a dar a vida pelas suas ovelhas.

Para o presbítero, o dom espiritual, conferido pela ordenação, torna-o participante da missão do bispo e impele-o a manter-se irrepreensível diante do altar, anunciar o Evangelho do Reino, oferecer dons e sacrifícios espirituais, renovar o povo de Deus.

Quanto aos diáconos, a graça sacramental dá-lhes a força necessária para servirem o povo de Deus na “diaconia” da Liturgia, da Palavra e da Caridade, em comunhão com o bispo e o seu presbitério25.

11. O Matrimónio sacramental, “grande mistério em relação a Cristo e à Igreja” (Ef 5, 32) , no qual se firma a aliança de duas pessoas humanas, homem e mulher, é a participação humana naquele amor divino que “o Espírito Santo derramou nos nossos corações” (Rom 5, 5) .

A graça do sacramento aperfeiçoa o amor humano dos esposos, dá firmeza à sua unidade indissolúvel e santifica-os no caminho da vida eterna.

O lar cristão, onde os filhos recebem o primeiro anúncio da fé, é, com razão, considerado no Catecismo da Igreja Católica, “igreja doméstica, comunidade de graça e de oração, escola de virtudes humanas e de caridade cristã”26 .

O Espírito vivifica a Palavra

12. A Igreja, no silêncio, na escuta e acolhimento da Palavra de Deus, deixa-se ensinar, formar e desafiar pelo Espírito, que fala através das Escrituras; e, simultâneamente, vai-se conformando a Cristo, seu Senhor, e cresce na comunhão e na unidade do único Espírito.

 Lembra-o João Paulo II, quando escreve: “Por meio do Espírito Santo a viva voz do Evangelho ressoa na Igreja27 e a compreensão das Escrituras progride “sob a acção do mesmo Espírito”, quer mediante a pregação dos legítimos pastores, quer também com o estudo, a meditação e a profunda experiência espiritual da Escritura”28 .

Quem anuncia a Palavra, fá-lo pela força do Espírito Santo; quem acolhe a Palavra é movido pela graça do mesmo Espírito. A liturgia sempre pôs na boca dos que proclamam a Palavra a evocação do Espírito de Deus.

Só assim a palavra divina encontra em nós um eco e uma ressonância parecida com a que se deu nos Apóstolos, graças ao dom comum do Espírito da Verdade.

Importa igualmente preparar com esmero a homilia e outras formas de transmissão da Palavra de Deus, a fim de que ela anime toda a vida e missão das pessoas e das comunidades.

O mesmo Espírito que inspirou os autores sagrados suscita hoje na Igreja múltiplas formas de escuta da Palavra, tais como a “lectio divina”, a recitação da Liturgia das Horas, os grupos bíblicos e de oração, etc. Mas a Liturgia da Palavra, na celebração dos Sacramentos, é o espaço privilegiado da revelação do Espírito, precursor e evangelista supremo do mistério de Cristo29 .

Ministérios e carismas na Igreja

13. O Espírito Santo derrama os diversos dons, carismas e ministérios, para o bem da Igreja e sua edificação.

Além dos ministérios ordenados, que o próprio Cristo instituiu, conferindo-lhes autoridade e missão, orientação e finalidade, os leigos podem sentir-se ou ser chamados a colaborar com os pastores no serviço da comunidade eclesial, trabalhando pelo seu crescimento e vida, exercendo ministérios laicais e outras formas de serviço eclesial, segundo a graça e os carismas que ao Senhor aprouver comunicar-lhes30 .

 Extraordinários ou simples, os carismas são graças do Espírito Santo que, directa ou indirectamente, têm uma utilidade eclesial, ordenados como são para a edificação da Igreja, o bem das pessoas e as necessidades do mundo31.

Os Institutos de vida consagrada - Ordens e Congregações Religiosas, quer masculinas quer femininas, Institutos Seculares e Sociedades de Vida Apostólica - recebem um carisma próprio em ordem ao seguimento de Cristo, casto, obediente e pobre, e ao exercício de funções concretas na missão da Igreja: contemplação; evangelização do povo fiel e dos países não-cristãos; ensino e educação de crianças, adolescentes e jovens; assistência aos doentes, idosos, pobres e marginalizados; apostolado em múltiplas formas, inclusive através dos meios de comunicação social; testemunho e consagração da vida e da actividade quotidiana no mundo.

A força e a acção do Espírito manifestam-se também nos movimentos apostólicos e nos movimentos de espiritualidade, tenham ou não forma institucional na Igreja. “Se permanecerem de modo correcto na comunhão eclesial, são portadores de grande esperança”32 .

O Espírito aflora ainda na existência de cada crente, homem ou mulher, que vive a sua vocação de maneira autêntica. Principalmente nos santos, mais abertos à acção do Espírito.

O Espírito no Mundo

14. Uma vez que todo o ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus, a luz do Verbo “ilumina todo o homem” ( Jo 1, 9) e a acção do Espírito do Senhor estende-se para lá dos limites visíveis da Igreja. Age na intimidade de cada pessoa e leva-a a descobrir e a reconhecer a dignidade da natureza humana, a grandeza da inteligência, o valor da consciência, a excelência da liberdade; numa palavra, a abrir-se a Deus seu Criador e à sua marca na própria natureza.

O Espírito, “que dá vida e renova a face da terra”33 , entra, assim, constantemente na história do mundo através do coração humano; suscita aspirações e realizações que encarnam valores humanos e, por isso, cristãos; valores que se apresentam como “sinais” dos desígnios de Deus, que chama a humanidade a “renovar-se em Cristo e a transformar-se em família de Deus34 . Toda a expressão, todo o “fragmento” de unidade, de libertação, de justiça, de plenitude de vida, toda a aspiração ao que é bom, ao que leva à paz, tudo o que se ordena a “tornar mais humana a família dos homens e a sua história”51 são “sinais” do Espírito do Senhor que “enche o universo”, sinais que importa discernir, interpretar e acolher.

III. O ESPÍRITO SANTO, PRINCIPAL AGENTE DA EVANGELIZAÇÃO

A Igreja em estado de missão

15. No dia do Pentecostes cumpriu-se a promessa de o Espírito descer sobre os discípulos e realizar a obra de Jesus, quando Ele, terminada a sua “jornada de trabalho”36 , voltasse para o Pai. Esta segunda fase da obra salvadora de Cristo arrancou nesse mesmo dia: começavam os “actos dos Apóstolos”37 .

A partir daí a Igreja permanece sempre em estado de missão. Com zonas de luz ou de sombra, o peregrinar da Igreja confunde-se com a história da evangelização. Evangelizar é a sua identidade.

O grande Jubileu deve suscitar em nós todos um renovado impulso evangelizador. Trata-se, realmente, de fazer memória e profecia, conforme o tom da exortação do Santo Padre: “Não tendes apenas uma história gloriosa para recordar e narrar, mas também uma grande história a construir. Olhai o futuro, para o qual vos projecta o Espírito, a fim de realizar convosco coisas ainda maiores”38.

Ai de mim se não evangelizar! (1 Cor 9, 16)

16. Queremos, pois, recordar a todos os membros da Igreja uma afirmação conciliar, saudavelmente inquietante: “Membro que não contribui segundo a sua capacidade para o aumento do corpo deve considerar-se inútil para a Igreja e para si próprio39 .

Dirigimos um apelo aos ministros ordenados, às pessoas consagradas e aos leigos para que redobrem o seu empenho no testemunho e no apostolado activo.

Além dos ministérios ligados ao sacramento da Ordem, quantos serviços a prestar em resposta às necessidades dos tempos e lugares! Há quem possa - em honra do Espírito Santo, “benfeitor supremo” - intensificar a ajuda aos necessitados, aos doentes, presos, emigrantes, desempregados, inválidos. Poderão outros servir o próximo mediante o conselho, o acompanhamento espiritual, a pacificação entre adversários, a conversão dos pecadores, a catequese, a pregação, a palavra escrita, a educação da fé, etc. Falando de maneira especial aos leigos, é de salientar o testemunho de uma vida profundamente cristã, o exercício das obras de caridade e do ensino, a prática dos conselhos evangélicos permanecendo no mundo, o apoio à Igreja missionária, a animação cristã da sociedade, a participação activa na vida paroquial e diocesana, a intervenção política à escala nacional ou internacional.

Pessoas e grupos revelam estar no bom caminho, quando se não fecham sobre si próprios, antes participam generosamente na difusão da fé e na solução dos problemas humanos. De igual modo, as Igrejas particulares e os Institutos de vida consagrada dão sinais de vitalidade quando se esquecem de si mesmos, até da escassez de recursos humanos, para obedecerem ao mandato do Senhor: “Ide pelo mundo inteiro” (Mt 28, 16) 

Urgência da actividade missionária 

17. Este mandato, dirigido à Igreja, está bem longe do seu pleno cumprimento - afirma João Paulo II, na Carta Apostólica sobre A Missão de Cristo Redentor. “No termo do segundo milénio, após a Sua vinda, uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão ainda está no começo40 . Mais: “O número daqueles que ignoram Cristo, e não fazem parte da Igreja, está em contínuo aumento: quase duplicou desde o final do Concílio. A favor desta imensa humanidade, amada pelo Pai, a ponto de lhe enviar o seu Filho, é evidente a urgência da missão”41 . É o Espírito que nos impele a anunciar as grandes obras de Deus42.

O Ano do Espírito Santo deve contribuir para se afirmar a consciência de que a missão compete a todos os cristãos, a todas as dioceses e paróquias, instituições e associações eclesiais.

Ainda ressoa bem viva a declaração conciliar: “Não haverá renovação nas comunidades, se não expandirem a sua caridade até aos confins da terra”43. “Na história da Igreja, com efeito, o impulso missionário foi sempre um sinal de vitalidade, tal como a sua diminuição constitui um sinal de crise de fé”44.

Recomendamos, pois, as diversas formas de cooperação na actividade missionária. Em primeiro lugar, a oração. “A oração deve acompanhar os passos dos missionários, para que o anúncio da Palavra se torne eficaz pela graça divina”45.

“À oração deve juntar-se o sacrifício: o valor salvífico de qualquer sofrimento, oferecido a Deus por amor, brota do Sacrifício de Cristo, que chama os membros do Seu Corpo Místico a associar-se aos Seus padecimentos, a completá-los na sua própria carne. O sacrifício dos missionários deve ser partilhado e apoiado pelos fiéis”46 .

Chamamos também a atenção para a importância da animação missionária, sempre orientada para os seus fins específicos: informar e formar o povo de Deus para a missão universal da Igreja, fazer surgir vocações ad gentes, suscitar cooperação para a evangelização. Por feliz coincidência, o ano do Espírito Santo é, também, entre nós, o ano missionário.

A animação missionária reforça e mantém viva a fé dos crentes, leva-os a apreciar o grandíssimo tesouro do Baptismo e a graça de serem filhos de Deus, suscitando a gratidão e o desejo de a partilhar com aqueles que ainda a não receberam. E em países como o nosso, onde o consumismo deitou raízes profundas, contribui para que os cristãos se apercebam da necessidade da fraternidade e se tornem sensíveis às exigências da caridade e da justiça.

Ao celebrar o quinto centenário do início da gesta missionária no Oriente, a Igreja em Portugal sente-se convocada para a causa missionária, “a primeira de todas as causas”47. Deus quer servir-se de nós para preparar uma nova Primavera do Evangelho.

Movimentos eclesiais

18. O florescimento dos movimentos eclesiais - afirma o Santo Padre - é “motivo de esperança para a Igreja e para a humanidade”. Declara-os “sinal da liberdade de formas em que se realiza a Igreja” e “uma novidade segura, que espera ainda ser compreendida adequadamente em toda a sua positiva eficácia para o Reino de Deus48.

Convidamos, pois, todos os movimentos eclesiais e os grupos laicais a aprofundarem o próprio carisma, como dom suscitado pelo Espírito para toda a Igreja, e a maneira de o colocarem ao serviço da mesma.

Para reforçar o mútuo conhecimento e amor entre movimentos e grupos, fazemos nosso o convite do Santo Padre a colaborarem todos numa expressão ou projecto comum: “No quadro das celebrações do Grande Jubileu... no ano de 1998, dedicado de modo particular ao Espírito Santo..., conto com o testemunho comum e a colaboração dos movimentos” 49 .

Voltar ao fogo das origens

19. Mas a evangelização não se pode limitar a gizar estratégias pastorais. Do que a Igreja precisa urgentemente é de um novo Pentecostes, de uma nova efusão do Espírito Santo.

Importa, pois, voltar ao fogo das origens e, como os cristãos dos Actos, reavivar a consciência de que o Espírito é quem move a Igreja. Era o Espírito que impelia Filipe ao encontro do etíope50, ou Pedro a casa do centurião Cornélio51; era o Espírito que guiava Paulo e Barnabé para a missão entre os pagãos52.

Assim hoje é o Espírito que nos aponta o caminho que conduz aos homens e mulheres do nosso tempo. Ele, protagonista da missão, abre os corações à Boa Nova. Dá-nos força para sermos testemunhas no meio das dificuldades, se necessário até ao martírio.

Dizia São João Crisóstomo: “Os Apóstolos não desceram do monte como Moisés, trazendo nas mãos tábuas de pedra; sairam do Cenáculo levando o Espírito Santo nos seus corações e derramando por toda a parte os tesouros de sabedoria e de graça e os dons espirituais, como de um manancial. Foram pregar por todo o mundo como se eles próprios fossem a Lei viva, livros animados pela graça do Espírito Santo”53

IV. COMUNHÃO NO MESMO ESPÍRITO 

Unidade na caridade 

20. Segundo a vontade expressa do Santo Padre, a reflexão dos cristãos deverá concentrar-se também, no ano de 1998, sobre o valor da unidade no seio da Igreja54.

Efectivamente, se “num só Espírito fomos todos baptizados para formarmos um só corpo” (1 Cor 12, 13) , o Espírito há-de ser, desde o Pentecostes e para todas as gerações que se inserem na Igreja, o princípio e a fonte da unidade, como a alma o é no corpo.

Não se trata de uma unidade apenas orgânica, como a de todo o ser vivo, mas de uma unidade espiritual que exige um compromisso moral, segundo a saudação e o desejo que se exprime no começo da celebração eucarística: “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” (2 Cor 13, 13) .

Este conceito de unidade trinitária no Espírito Santo, como fonte da unidade da Igreja, inspira a “eclesiologia da comunhão”, ponto nuclear do Concílio Vaticano II.

Diversidade, comunhão, missão

21. A diversidade de carismas e de ministérios na Comunidade cristã é tão normal e necessária como a diversidade de membros e de funções no corpo humano, a cuja semelhança entende São Paulo a Igreja, Corpo de Cristo55.

Daí resulta uma variedade enorme de estilos de vida cristã. “A água (do Espírito) torna-se branca no lírio, vermelha na rosa, de uma forma na palmeira, de forma diferente na vinha... Adapta-se à natureza daqueles que a recebem”56. “Cada estrela difere da outra no seu esplendor” (1 Cor 15, 41) .

A diversidade de carismas autênticos contribui para a unidade da Comunidade cristã. Porque os diferentes dons e serviços coincidem na sua origem e finalidade. A fonte é o mesmo e único Espírito de Deus.

E a finalidade é a missão. A riqueza pessoal integrada num dinamismo de comunhão orienta-se para a edificação da Comunidade e a transformação do mundo. “A manifestação do Espírito é dada a cada um para proveito de todos” (1 Cor 12, 7) - ensina São Paulo. E continua: “Tudo se faça para edificar” (1 Cor 14, 26).

Só uma Igreja que vive e celebra o mistério da comunhão, traduzindo-o numa realidade vital, orgânica e articulada, pode ser sujeito de uma eficaz evangelização.

O símbolo do Pentecostes, onde povos diversos ouviam os discípulos falar na própria língua57, conserva toda a sua força. Daí em diante a Igreja, embora chegue a falar as mil e uma línguas dos homens, terá sempre uma única linguagem, a do amor suscitado pelo Espírito. 

Identidade cristã e comunhão eclesial

22. Nos Actos dos Apóstolos58, encontramos elementos da identidade cristã e algumas constantes da comunhão eclesial, que são a base para um sério discernimento dos carismas.

Primeiro, a perseverança na doutrina dos Apóstolos. Não se trata de mera adesão intelectual a verdades estabelecidas, mas de adesão vital à realidade anunciada, em ordem a inscrevê-la nas diferentes dimensões da vida. O magistério dos sucessores dos Apóstolos, bem como o da “colectividade dos fiéis” unidos aos Pastores e fortalecidos pelo Espírito da unidade59 , ajuda a não “errar na fé”60. À autoridade eclesial compete o discernimento dos carismas, não para sufocar o Espírito, mas para examinar e reter o que é bom61.    

O segundo elemento é a fraternidade dos crentes. Os primeiros cristãos tinham “um só coração e uma só alma” (Act 4, 32). E eram assíduos à “comunhão”, a qual incluía a partilha de bens materiais e, mormente, a participação radical de todos na mesma fonte da comunhão: o dom da unidade realizada pelo sangue derramado de Jesus Cristo e difundida nos corações pelo Divino Espírito. O centro visível da comunidade local é o bispo com o seu presbitério. Sem comunhão com eles e com o Papa não se dá verdadeira comunhão católica.

A mesa comum eucarística é o terceiro elemento. A unidade e a fisionomia comunional da Igreja foram, desde o princípio, tornadas visíveis na “fracção do pão”, onde a comunidade procurava estabelecer uma relação vital com o Senhor, presente no meio dos discípulos na realidade do mistério pascal. Não pode haver comunidade cristã, se esta não tiver como raíz e vértice a celebração da Eucaristia, a partir da qual se inicia toda a formação do espírito comunitário62 .

Por último, o espírito de oração é a respiração profunda de uma comunidade que sabe estar sob o amoroso olhar do Pai, vive e celebra a realeza de Cristo e acolhe o dom do Espírito, com sentimentos de adoração religiosa e de invocação para que não faltem os frutos de vida. 

“Que todos sejam um”

23. Dirigimo-nos, agora, em prece ardente ao Espírito Santo, implorando-lhe a graça da unidade dos cristãos, de modo que possamos apresentar-nos ao Grande Jubileu, se não totalmente unidos, pelo menos muito mais perto de superar as divisões do segundo milénio63. Que 1998 seja um ano decisivo para o diálogo ecuménico.

As divisões constituem um escândalo para o mundo, tiram credibilidade ao anúncio do Evangelho e, principalmente, contradizem a última vontade de Jesus: “Que todos sejam um”64.

Tal união é, em última análise, projecto e dom do Espírito de Deus65. Cabe-nos, porém, secundar este dom, descobrindo que as riquezas de uns e outros são complementares. Juntos podemos trabalhar na transformação do mundo, em serviços que sirvam os homens e mulheres do nosso tempo, nomeadamente os pobres. Convidamos todos os fiéis a intensificarem a oração, implorando de Deus uma conversão autêntica, uma atitude de acolhimento e diálogo, e nos liberte de toda a auto-suficiência, nos torne capazes de nos perdoarmos mutuamente pelas falhas de fraternidade.

Tal diálogo queremo-lo extensivo aos irmãos de religiões não-cristãs, vendo nele uma ocasião favorável para percorrermos um caminho de crescimento na verdade e no amor, e de busca paciente de resposta às interrogações mais profundas da alma humana66.                 

V. RENOVAÇÃO DA VIDA NO ESPÍRITO

24. Deus predestinou-nos para sermos conformes à imagem do seu Filho, a fim de que Este seja o primogénito entre uma multidão de irmãos67. O Espírito Santo orienta-nos para o Pai, fazendo de nós filhos no Filho. Ele, pois, é o segredo do dinamismo filial e fraterno que nos estabelece numa relação nova com o Pai e com os irmãos em Cristo68.

Vida espiritual, na linguagem cristã, é a vivência consciente e livre dessa vida nova, com o que implica de atitudes, gestos e reacções provocados pela Palavra de Deus ao proclamar-nos o facto supremo da Revelação divina, Jesus morto e glorificado.

Não equivale, pois, a interioridade, nem se refere propriamente ao espírito humano: alude, sim, à acção do Espírito de Deus que nos insere no Plano salvador do Pai, realizado em Cristo. Não se pode limitar a algo de subjectivo e de intimista, nem reduzir a práticas de piedade.

O Espírito Santo faz-nos viver como Jesus Cristo viveu e faz-nos amar como Jesus Cristo amou.

 Ele aproxima-nos do monte santo que é Jesus e leva-nos a partilhar a sua pobreza em espírito, a sua compaixão, a sua mansidão e humildade, a sua misericórdia, a sua pureza de coração, a sua promoção da paz, o ser perseguidos por causa da justiça69.

O Espírito Santo suscita uma civilização de santidade, uma civilização do amor, da unidade, e faz da Igreja uma “comunidade nova” em relação ao mundo que não recebe Jesus Cristo. 

Oração e renovação espiritual

25. “O sopro da vida divina, o Espírito Santo, exprime-se e faz-se ouvir, na sua forma mais simples e comum, através da oração... Onde quer que se reze, aí está presente o Espírito Santo, sopro vital da oração... É a presença e a acção do Espírito Santo que ‘insufla’ a oração no coração humano”70.

Isto nas mais diversas situações, ora favoráveis, ora contrárias à vida espiritual. Neste caso, podemos até ver na oração a expressão mais alta do “clamor dos pobres”. A oração continua a ser a voz de todos aqueles que aparentemente não têm voz; e nela ressoa, sem cessar, o “forte clamor e lágrimas” atribuído a Cristo pela Carta aos Hebreus (Heb 5, 7) .

“Pai dos pobres”, o Espírito “vem em auxílio da nossa fraqueza”. Não só nos impele a rezar, mas também nos guia a partir de dentro, suprindo a nossa incapacidade, e confere à nossa oração uma dimensão divina: “Intercede pelos santos em conformidade com Deus” (Rom 8, 27). 

26. A nossa época tem particular necessidade de oração. Atordoados pelo barulho da vida moderna, assolados pela necessidade de fazer mil e uma coisas urgentes, descuidamos a oração, o silêncio. Mais do que falta de tempo, não será antes uma questão de hierarquia de valores, um problema de fé?

Convém, de facto, entender correctamente a fé como encontro vivo com a pessoa de Jesus Cristo. Paulo recebe a fé quando o Senhor ressuscitado, no caminho de Damasco, o “agarra”, o alcança, e essa experiência marca a tal ponto a sua maneira de ser e de agir, que o Apóstolo já não tem outro desejo senão o de partilhar a morte e a ressurreição do Senhor. Essa relação implica diálogo, “trato de amizade”, oração. A sua ausência pode significar que não existe uma fé viva71.

Decerto vai crescendo o número de pessoas que dão à oração o primeiro lugar e nela procuram a renovação da vida espiritual. Numerosos fiéis foram ajudados a considerar o Espírito Santo como aquele que desperta nos corações uma profunda aspiração à santidade.

Não deixa, porém, de ser verdade que a oração atravessa uma crise grave. Ainda não perdeu actualidade a verificação de Paulo VI: “Hoje, até os bons, até as pessoas consagradas a Deus, oram menos do que no passado”72

A santidade, dom do Espírito e acção humana

27. Entre os nossos deveres para com o Espírito Santo, avulta o de tendermos à máxima santidade, conforme o preceito do Senhor: “Sede perfeitos como o Pai celeste” (Mt 5, 48).

Os santos foram, no seu tempo, sinais e instrumentos da santidade de Deus presente na Igreja.

Caminhamos para a santidade conjugando dois factores. O primeiro é a própria graça do Espírito Santo. D’Aquele que nos chama à santidade vem o poder de a atingirmos, porque é Ele mesmo que a oferece.

A graça santificante eleva-nos à condição sobrenatural de participantes da natureza e vida divinas, dotados de virtudes e dons do Espírito Santo que nos levam a agir como verdadeiros filhos de Deus, agradáveis ao Pai.

As virtudes teologais da fé, esperança e caridade, pela luz e força do Espírito Santo, permitem-nos ver, pedir e amar à maneira de Jesus Cristo; e o mesmo influxo do Espírito informa as virtudes morais polarizadas pelas virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança.

Os dons do Espírito Santo aperfeiçoam as virtudes, actuando à maneira de intuições e moções do mesmo Espírito, produzindo efeitos admiráveis de santidade: a sabedoria infunde em nós o gosto das coisas divinas; o entendimento faz-nos penetrar profundamente nos mistérios e desígnios de Deus; a ciência leva-nos a dar a Deus o primeiro lugar na nossa vida e a tudo considerar à luz divina; o conselho ilumina-nos e fortalece-nos nas opções de vida, segundo a vontade de Deus; a piedade aprofunda sobrenaturalmente o trato com Deus e com o próximo; a fortaleza leva aos heroísmos da constância e do martírio perante todas as dificuldades; e o temor de Deus defende-nos de tudo quanto possa ofender, mesmo de leve, a Deus santo e misericordioso.

Um texto da antiga Igreja canta a acção do Espírito com estas palavras: O Espírito Santo é “Aquele que deu firmeza às almas e às mentes dos discípulos, que os esclareceu sobre as coisas divinas. Fortalecidos por Ele, os discípulos não tiveram medo nem das prisões nem das cadeias pelo nome do Senhor; mais ainda, desprezaram até os poderes e tormentos do mundo, armados agora e fortalecidos por meio d'Ele, tendo em si os dons que este mesmo Espírito concede e atribui como jóias da Igreja, esposa de Cristo. Com efeito, é Ele quem suscita os profetas na Igreja, instrui os mestres, sugere as palavras, realiza prodígios e curas, produz obras admiráveis, concede o discernimento dos espíritos, indica as tarefas de governo, inspira os conselhos, reparte e harmoniza qualquer outro dom carismático e, por isso, aperfeiçoa, em toda a parte e em tudo, a Igreja do Senhor”73. 

Aos dons do Espírito Santo deve corresponder o outro factor, a docilidade humana, o nosso sim, a nossa disponibilidade, o aceitar a vontade de Deus que ama e salva. Um sim que se pode graduar segundo a nossa liberdade, que é chamada à generosidade, à audácia, à grandeza, ao heroísmo, ao sacrifício. Um sim que se espelha no da Virgem Maria.

Os dons do Espírito e a docilidade humana produzem frutos permanentes, que são enumerados pelo apóstolo Paulo: alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, doçura, auto-domínio, justiça, perseverança, mansidão, verdade, pureza...74, frutos que atingem a sua expressão máxima nas bem-aventuaranças, proclamadas por Jesus no Sermão da Montanha. Eis o “retrato” do cristão, os traços que permitem identificá-lo. Paulo VI confirma-o ao definir a santidade cristã: “o encontro da vontade amorosa e salvadora de Deus com a vontade obediente e feliz da pessoa humana é a perfeição, é a santidade”75- .

Renovar a esperança

28. No ano dedicado ao Espírito Santo, somos chamados a redescobrir especialmente a virtude teologal da esperança.

Ela desempenha um papel fundamental na vida cristã e merece especial relevo neste tempo. Na verdade, muitos homens e mulheres de hoje, e mesmo bastantes cristãos, debatem-se entre o mito de uma capacidade infinita de realização de si mesmos e a tentação do pessimismo, face às decepções e derrotas.

O medo é outra característica pesada da nossa época. Medo do desemprego e da exclusão social. Medo da violência e da insegurança, mormente na periferia das grandes cidades. Medo de doenças degenerativas, como a sida. Medo dos efeitos devastadores da droga. Apreensão quanto à utilização do progesso científico-técnico. Medo da solidão. Medo do futuro.

A esperança indefectível é uma das componentes principais da vida cristã. A esperança cristã não se confunde com a esperança humana. Esta inclui a vacilação, a dúvida, ao passo que a esperança teologal, como atitude espiritual desenvolvida em nós pelo Espírito Santo, implica uma certeza digna da fidelidade de Deus. “Se Ele nos deu o próprio Filho, como não nos dará com Ele todas as coisas?”76.

Esta invencível esperança refere-se ao conjunto das realidades da salvação e, em primeiro lugar, ao futuro do mundo criado. Um certo pessimismo referente à vida, uma nostalgia doentia do passado, como se o tempo que nos tocou viver não fosse tempo de graça, é uma ofensa contra o Espírito Santo que vela pelo cumprimento da obra da salvação e a realiza com infinita paciência.

A demora da construção do mundo novo não deve ser atribuída a uma pretensa sonolência do Espírito, mas ao egoísmo e à mesquinhez do coração humano. Mesmo nos momentos de escuridão e de tormenta, nunca nos sentiremos órfãos nem privados da alegria que vem d'Ele, o Consolador77, guia dos caminhos que devemos percorrer78.

E se a Igreja é, no Espírito, a guardiã da esperança teologal, deve reconhecer os seus sinais, não apenas nela própria, mas também no mundo. É uma das missões da Igreja, no seu serviço ao mundo, não condená-lo sem apelo, mas ensinar-lhe a reconhecer a sua grandeza e o dinamismo interno do seu itinerário para a plenitude. O Concílio Vaticano II faz justiça a este optimismo ao falar da realização plena, sob o título: Nova terra e novos céus79.

Não podemos imaginar de que modo se transformará o universo. Mas devemos sustentar com São Paulo que “a criação geme e suspira esperando a sua libertação” (Rom 8, 22) . Só por Cristo ressuscitado pode a criação inteira “aceder à gloriosa liberdade dos filhos de Deus”. Essa liberdade vai-nos penetrando pouco a pouco, graças à presença do Espírito em nós. A partir daí, vai ganhando pouco a pouco este mundo, entregue ao homem “para que o cultive e guarde” (Gen 1, 15) .

Quanto mais nos deixarmos habitar pela caridade de Deus, tanto mais amaremos este mundo que é obra Sua e tanto mais trabalharemos corajosamente para o tornarmos menos indigno da presença de Deus. Não importa que o caminho seja longo, uma vez que a tocha da esperança foi acesa pelo Espírito nos nossos corações.

Chamados somos, pois, a preparar-nos para o Grande Jubileu, renovando a nossa esperança no advento definitivo do Reino de Deus, e valorizando e aprofundando “os sinais de esperança presentes neste epílogo do século, não obstante as sombras que frequentemente os escondem a nossos olhos: no campo civil, os progressos realizados pela medicina ao serviço da vida humana, o sentido mais vivo de responsabilidade pelo ambiente, os esforços para restabelecer a paz e a justiça..., a vontade de reconciliação e solidariedade entre os vários povos...; no campo eclesial, o escutar mais atento da voz do Espírito através do acolhimento dos carismas e da promoção do laicado, a intensa dedicação à causa da unidade de todos os cristãos, o espaço dado ao diálogo com as religiões e com a cultura contemporânea...”80 .  

A Igreja que sonhamos

29. Unidos a outros cristãos deste fim do século, queremos traduzir a esperança que nos vem da visão do futuro e que assenta no poder de Deus e na força construtiva das bem-aventuranças. Graças ao Espírito do Pentecostes, também nestes dias, os jovens e menos jovens têm “sonhos e visões”81.

Esta é, pois, a Igreja que sonhamos:

- uma Igreja plenamente sujeita à Palavra de Deus, alimentada e libertada por ela;

- uma Igreja que põe a Eucaristia no centro da sua vida, contempla o seu Senhor, realiza tudo o que faz “em memória d'Ele” e tem por modelo a sua capacidade de doação;

- uma Igreja que não receia usar estruturas e meios humanos, dos quais se serve, sem de eles se tornar serva;

- uma Igreja que deseja falar ao mundo de hoje, à cultura, às diferentes civilizações, com a palavra simples do Evangelho e com as obras que ele inspira;

- uma Igreja aberta aos sinais da esperança do Espírito, onde quer que aflorem;

- uma Igreja consciente do caminho penoso e difícil de muita gente de hoje, dos sofrimentos quase insuportáveis de grande parte da humanidade, sinceramente participante nas penas de todos e desejosa de aliviá-los;

- uma Igreja que leva a palavra libertadora e encorajadora do Evangelho aos que andam sobrecarregados de fardos pesados e que sabe descobrir os novos pobres;

- uma Igreja de rosto materno, espaço de acolhimento para o homem e a mulher transviados, capaz de ilimitada misericórdia e compreensão pelo seu erro, pela sua solidão, pelos seus preconceitos, pelas suas dificuldades;

- uma Igreja que não privilegia nenhuma classe de pessoas, que acolhe igualmente jovens e idosos, que educa e forma todos os seus filhos na fé e na caridade, e deseja valorizar todos os serviços e ministérios na unidade da comunhão;

- uma Igreja humilde de coração, unida e compacta na sua disciplina, na qual o primado pertence unicamente a Deus;

- uma Igreja que faz um paciente discernimento, avaliando com objectividade e realismo a sua relação com o mundo, com a sociedade de hoje; que impele os cristãos à participação activa e à presença responsável, com respeito e deferência para com as instituições, mas que recorda bem a palavra de Pedro: “É melhor obedecer a Deus do que aos homens” (Act 4, 19)82

V. INTERPELAÇÕES PASTORAIS 

Redescoberta do Espírito Santo 

30. Terminamos com algumas orientações pastorais. E a primeira tem a ver com a redescoberta do Espírito Santo, o grande silenciado, quando não ausente, na vida de muitos cristãos.

Entre as possíveis causas desta situação podemos apontar: falta de formação e catequese, antes e depois dos sacramentos da iniciação cristã; falta de experiência vivencial da sua presença e acção na vida pessoal e comunitária, devido a um baixo nível de vitalidade cristã; a própria dificuldade em compreender os símbolos, imagens e expressões que, à míngua de vocabulário e definições precisas, se aplicam, na Bíblia, ao Espírito Santo.

Importa desenvolver e aprofundar a teologia do Espírito Santo em jornadas de estudo, retiros, cursos, baseando sempre a oração e a reflexão na única e verdadeira rocha que é a Palavra de Deus.

Dê-se também ênfase à pastoral da Confirmação, até como forma de proporcionar a muitos baptizados uma iniciação cristã que nunca chegaram a fazer. E aos cristãos adultos que não celebraram este Sacramento, ajudemo-los a descobrir a necessidade de o receber.

Igreja consciente das suas fragilidades

31. Habitada pelo Espírito Santo, mas formada por pessoas conscientes das suas fragilidades, a Igreja “não pode transpor o limiar do novo milénio sem impelir os seus filhos a purificar-se, pelo arrependimento, de erros, infidelidades, incoerências”83 .

Importa fazer o exame das responsabilidades que nos cabem nos males do nosso tempo: a indiferença religiosa que leva tantas pessoas a viver como se Deus não existisse; as deficiências da nossa vida cristã; a falta de discernimento de alguns cristãos perante a violação dos direitos humanos por regimes totalitários; a cumplicidade de outros em formas graves de injustiça e exclusão social; o desconhecimento da doutrina social da Igreja; a deficiente recepção do Concílio Vaticano II84 .

Como Igreja, sentimo-nos também responsáveis dos métodos de intolerância ou até mesmo de violência no serviço à verdade, que houve entre nós, no passado. A ponderação dos condicionalismos culturais da época não nos exime de pedir perdão pela fraqueza de tantos irmãos nossos, que impediam a Igreja de espelhar plenamente a imagem do Senhor crucificado, testemunha insuperável de mansidão e humildade.

O perdão verdadeiro, respeitoso, exige mudança de vida e uma reparação o mais adequada possível.

Ano do Espírito Santo, Ano de Missão

32. Consistindo a missão da Igreja em anunciar o Evangelho, sob o impulso do Espírito Santo, bem podemos dizer: Ano do Espírito Santo, Ano de Missão.

Um novo empenho evangelizador se espera no interior do nosso país. As “Linhas de força de uma acção pastoral conjunta”, que propusemos em 1993, conservam toda a sua urgência: “Evangelizar e renovar a fé do povo cristão na fidelidade às orientações do Concílio e às exigências do nosso tempo, edificando comunidades vivas de fé e de dinamismo missionário”85 .

E numa altura em que os povos do Terceiro Mundo nos suplicam como o macedónio a Paulo: “Atravessa o mar e vem ajudar-nos” (Act 16, 9), o ano de 1998 é, naturalmente, um Ano Missionário. Também nós, como o Santo Padre, vemos “alvorecer uma nova época missionária, se todos os cristãos... corresponderem generosa e santamente aos apelos e desafios do nosso tempo86 

Espírito Santo e vocações 

33. Vocação e vocações é outro ponto a considerar, muito especialmente, neste o ano do Espírito Santo.

É o Espírito que no início da criação fez surgir a vida e chama, hoje, continuamente, a Igreja a ser a grande defensora da vida e do homem.

É o Espírito que suscita os profetas como porta-vozes de Deus, sentinelas da Aliança, denunciadores de quanto impede a realização do Plano salvífico de Deus.

É em Jesus e Maria, vocacionados por excelência, que vislumbramos mais de perto a força e a ternura do Espírito, bem como a fidelidade humana a toda a prova.

É o Espírito que faz da Igreja uma Comunidade de pessoas chamadas à fé, à comunhão e à missão.

Convencidos, pois, de que toda a vocação é dom, queremos reanimar toda a pastoral das vocações com um grande “movimento de oração” nas paróquias, nas comunidades de vida consagrada, nos grupos. Como diz a Mensagem conclusiva do recém-celebrado Congresso Europeu das Vocações, só a oração promove uma mentalidade acolhedora e um coração bem disposto,

E só o enraizamento em Deus torna possível outro primado: o primado do testemunho, que é a fundamental e convincente proposta vocacional, jamais substituível por qualquer outra estratégia pastoral. Os jovens não entram numa comunidade ou numa instituição em crise, mas interrogam-se e deixam-se contagiar pelas pessoas e comunidades que sabem dar um límpido testemunho de Cristo ressuscitado.

O empenho conjunto, requerido pelo salto de qualidade da pastoral vocacional, exige prestar grande atenção aos educadores, aos sacerdotes e aos consagrados, sobretudo às mediações educativas das nossas famílias ou comunidades. Só através duma sábia presença formativa, mormente na direcção espiritual, a dimensão vocacional pode atravessar todo o campo de acção na pastoral da comunidade cristã.

Importa que os educadores sejam ousados no fazer a proposta. A pedagogia de Jesus é clara; não são os discípulos a exprimir o desejo de seguir o Senhor, mas é Ele quem chama: “Não fostes vós que me escolhestes, fui Eu que vos escolhi a vós” (Jo 15, 16) .

Vocação universal à santidade

34. No dia de Pentecostes começou a história da santidade cristã87, concedida a quantos se abrem à acção do Espírito.

Achamos que ainda não perdeu actualidade a afirmação do Sínodo Extraordinário de 1985, segundo o qual se verifica nas Igrejas particulares e nos Institutos de vida consagrada uma situação de atonia, de mediocridade e tibieza, de crise espiritual. Os Padres Sinodais advogavam se pregasse de novo e com vigor a doutrina conciliar da vocação à santidade88. “Sobretudo neste tempo, a Igreja deve conservar e promover com energia o sentido da penitência, da adoração, do sacrifício, da oblação de si mesmo, da caridade e da justiça”89 .

“É necessário, por conseguinte, suscitar em cada fiel um verdadeiro anseio de santidade, um forte desejo de conversão e renovamento pessoal, num clima de oração cada vez mais intensa e de solidário acolhimento do próximo, especialmente do mais necessitado”90 .

Nos seminários e nas casas religiosas dê-se uma formação que introduza os candidatos na vida espiritual quotidiana (oração, meditação, “lectio divina”, sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia). Promova-se a espiritualidade dos leigos, fundada no Baptismo, sem esquecer a espiritualidade conjugal, que se baseia no sacramento do Matrimónio e é de grande importância para transmitir a fé às gerações futuras.     

Viver na esperança

35. Falta pouco para atraversarmos o limiar do novo milénio. Importa fazer essa “passagem” sem o temor que brota de infundados milenarismos, mas com jubilosa esperança.

A Igreja tem uma experiência de dois mil anos, em que superou todo o tipo de obstáculos e transmitiu o Evangelho, como tocha que passa de mão em mão.

A evangelização é hoje, porventura, mais difícil de cumprir e os problemas do mundo causam mais apreensão. Mas o Pai continua a rodear-nos de ternura; e o Senhor ressuscitado, através do seu Espírito Santo, está connosco até ao fim dos tempos. A Igreja é, pois, chamada a ser o espelho das esperanças da humanidade. 

Sob o olhar de Maria, “Mãe da Esperança”

36. A obra do Espírito que dá a vida atingiu o seu ponto mais alto no mistério da Encarnação, cujo bimilenário vamos celebrar. Pelo poder do Espírito Santo fez-se homem o Filho do Eterno Pai.

Como aos Apóstolos, reunidos com Maria no Cenáculo, o Espírito ensina-nos hoje aquilo que pretende dizer à Igreja que peregrina para o Grande Jubileu.

Maria, mulher dócil à voz do Espírito, mulher do silêncio e da escuta, mulher de esperança, nos ajude a preparar um novo Pentecostes.

Fátima, 9 de Julho de 1997            

Índice

I. Introdução

II. Presença e Acção do Espírito Santo

– Deus Uno e Trino

– O Espírito actualiza e aprofunda o mistério de Cristo

– O Espírito na Igreja

– O Espírito e os Sacramentos

– O Espírito vivifica a Palavra

– Ministérios e carismas na Igreja

– O Espírito no Mundo

III. O Espírito Santo, Principal Agente da Evangelização

– A Igreja em estado de missão

– Ai de mim se não evangelizar

– Urgência da actividade missionária

– Movimentos eclesiais

– Voltar ao fogo das origens

 

IV. Comunhão no mesmo Espírito

– Unidade na Caridade

– Diversidade, comunhão, missão

– Identidade cristã e comunhão eclesial

– “Que todos sejam um”

V. Renovação da Vida no Espírito

– Oração e renovação espiritual

– A santidade, dom do Espírito e acção humana

– Renovar a esperança

– A Igreja que sonhamos

VI. Interpelações pastorais

– Redescoberta do Espírito Santo

– Igreja consciente das suas fragilidades

– Ano do Espírito Santo, Ano de Missão

– Espírito Santo e vocações

– Vocação universal à santidade

– Viver na esperança

– Sob o olhar de Maria, “Mãe da Esperança”

Notas

 1 C.E.P., Carta Pastoral sobre Jesus Cristo, Nosso Salvador e Senhor. Ed. do Secr. Ger. do Episc., Lisboa 1986.

 2 JOÂO PAULO II, Carta Encíclica “Dominum et Vivificantem” (DVi) 50.

 3 Cf DVi 51; JoÃO PAULO II, Carta Apost. “Tertio millenio adveniente” (TMA) 44.

 4 Cf TMA 44.

 5 Cf TMA 45-48.

 6 DVi 67.

 7 S. GREGÓRIO DE NAZIANZO, Oratio 45: PG 36, 628 C.

 8 S. BASÍLIO, De Spiritu sancto, 16: PG 32, 136C.

 9 S. LEÃO MAGNO, Sermo 55: PL 54, 400-401.

10 S. ATANÁSIO, Ep.I ad Serapionem, 20: PG 26, 557 B.

 11 Cf 1 Cor 12, 3.

 12 Cf Jo 20, 22-23.

 13 Cf Jo 10, 7-9.

 14 Cf Jo 14, 12. Cf SIMEÃO o Novo Teólogo. Cit. YVES CONGAR, Je crois en L’Esprit Saint, I, Paris, 1983, p.138.

15 Cf Mt 3, 16; Mc 1, 10.

 16 S.BASÍLIO, De Spiritu Sancto, XVI, 39: PG 32, 139.

 17 Cf Mt 11, 25-26.

 18 Cf DVi 25.

 19 IGNACE HAZIM, “Voici, Je fais toutes les choses nouvelles”, “Irénikon”, 42 (1968), 351-352.

20 Cf Rom 8, 15-16; Gal 4, 6-7.

 21 CONCÍLIO VATICANO II, Decr. Ad Gentes 4.

 22 Catecismo da Igreja Católica, 1213; cf 683; Tito 3, 5-6; Col 2, 12.

 23 Cf Ibid., 1285; CONCÍCLIO VAT. II, Const. Dogmática Lumen Gentium, 11; cf Ritual do Sacr. da Confirmação.

 24 Cf PAULO VI, Angelus, 25-VIII-1972.

25 Cf Catecismo da Igreja Católica, 1585-1588.

26 Cf Ibid. 1666.

 27 DVi 8.

28 Ibid.

29 Com. Past. e Mis. do Grande Jubileu, O Espírito que é Senhor e dá vida. Subsídio para 1998.

30 Cf Catecismo da Igreja Católica, 874; 910.

31 Cf Ibid., 799.

32 Sínodo Extr. de 1985, “Relação Final”.

33 Cf Sl 103, 29-30.

34 CONCÍLIO VAT. II, Const. Past.Gaudium et spes 11.40.

35 Ibid. 40.

36 Cf Jo 5,17.

37 Decr. Ad Gentes 4

 38 JOÃO PAULO II, Exort. Apost. Vita Consecrata 100.

39 Decr. Ad Gentes 2.

40 JOÃO PAULO II, Carta Encíclica Redemptoris missio 1.

41 Ibid. 3.

42 Ibid. 1.

43 Decr Ad Gentes 35.

44 Redemptoris missio 2.

45 Ibid. 78.

46 Ibid. 78.

47 Ibid. 86.

48 Homilia na Vigília de Pentecostes, 25-V-1996.

49 Ibid.

50 Cf Act 8, 26.

51 Cf Act 10, 20.

52 Cf Act 13, 46-48.

53 SÃO JOÃO CRISÓSTOMO, Commento al Vangelo di Matteo I: Roma, 1966, 27.

54 Cf TMA 47.

55 Cf 1 Cor 12, 12.

 56 SÃO CIRILO DE ALEXANDRIA, Catequese 16, 12.

57 Cf Act 2, 6.

58 Cf Act 2, 4.

59 Cf CONCÍLIO VAT. II, Const. Dei Verbum 10.

60 Cf Const. Lumen Gentium 12.

61 Cf 1 Tes 5, 19-21.

62 Cf CONCÍLIO VAT. II, Decr. Presbyterorum Ordinis 6.

63 Cf TMA 34.

64 Cf Jo 17, 11.21.22.

65 Cf TMA 34.

66 Cf Redemptoris missio 55-57.

 67 Cf Rom 8, 29.

68 Cf Rom 8, 14; Gal 4, 6..

69 Cf Mt 5, 3-12.

70 DVi 65.

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A MISSA – O SACRIFÍCIO INCRUENTO DO CALVÁRIO


 

A MISSA – O SACRIFÍCIO INCRUENTO DO CALVÁRIO

Reflexão bíblica: At 2, 42-47 

No meio do caminho havia uma pedra. Aparentemente uma simples pedra. Os que passavam tropeçavam nela. E ela ia rolando para frente e para trás. Um dia alguém parou, pegou aquela pedra e a limpou da poeira. Então viu que era uma pedra preciosa.

 

A Missa é semelhante a essa pedra. Não que ela esteja suja, mas os nossos olhos estão cobertos da sujeira da ignorância ou do preconceito, o que nos impede de ver a missa como ela é realmente, na pureza de sua origem divina e na beleza de seu mistério.

         Se fizermos uma pesquisa com o título: Por que fui à missa? A maioria das respostas seria estas. Fui porque era Natal, porque era dia de falecimento de amigo, porque era aniversário de alguém, porque tinha gente bonita... Infelizmente é uma realidade; somente 20% das pessoas que vão a Missa são “Católicos Verdadeiros”. E você, Por quê vai a Missa? Você vai de vez em quando ou todos os domingos? Vai por obrigação e interesse, para adorar a Jesus que TUDO fez por você? A Missa é muito mais que uma oração. Precisamos conhece-la melhor pra um dia podermos vivê-la.

         A Missa é o sacrifício de Jesus no calvário; também na Missa sabemos o que Ele quer de nós, é na missa que aprendemos a perdoar e aprendemos a agradecer. Não adianta ir a Missa  para assistir, devemos ir para participar, pois quem assiste é apenas um espectador, mas quem participa vive, entende e se emociona com tudo aquilo que está acontecendo.

A santa Missa é o sacrifício do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, oferecido em nossos altares, em memória do sacrifício  da Cruz. O Santo sacrifício da Missa é oferecido:

  1. Para adorar e glorificar a Deus;
  2. Para agradecer a Deus os benefícios recebidos;
  3. Para obter de Deus o perdão dos pecados
  4. Para pedir a Deus graças e favores

Para tanto há testemunhos de verdadeiros católicos que deram muito valor a Santa Missa:

 

“Na hora da morte, as Missas, às quais tiveres assistido, serão a tua maior consolação. Um dos fins da Santa Missa é alcançar para ti o perdão dos teus pecados. Em cada Santa Missa, pois podes diminuir a pena temporal devida aos teus pecados – pena essa que será diminuída na proporção do teu fervor. Será ratificada no céu a benção, que do sacerdote receberes na Santa Missa. Assistindo a Santa Missa com devoção, prestas a maior das honras à Santa Humanidade de Jesus Cristo”.        

( Santo Agostinho )

 

“Cada Missa à que assistires, alcançar-te-á no céu maior grau de glória. Será abençoado em teus negócios pessoais e obterás as graças que te são necessárias”.

 

( São Jerônimo )

 

“Todas as Missas tem um valor infinito, pois são celebradas pelo próprio Jesus Cristo com uma devoção e amor acima do entendimento dos anjos e dos homens, constituindo o meio mais eficaz, que nos deixou Nosso Senhor Jesus Cristo, para a Salvação da humanidade”.

( São Matildes )

 

“Nenhuma língua humana pode exprimir os frutos de graças, que atrai o oferecimento do Santo Sacrifício da Missa”.

( São Lourenço )

 

“O martírio não é nada em comparação com a Santa Missa. Pelo martírio, o homem oferece a Deus sua vida; na Santa Missa, porém, Deus dá o seu Corpo e o seu Sangue em sacrifício para os homens. Se o homem reconhecesse devidamente esse mistério, morreria de amor”.

( São Tomaz de Aquino )

 

“Agradecemos, pois, ao Divino Salvador por ter-nos deixado este meio infalível de atrair sobre nós ondas da Divina Misericórdia”.

( São Cura Dars )

 

“A Santa Missa é o presente mais precioso e mais agradável que podemos oferecer à Santíssima Trindade; vale mais que o céu e a terra; vale o próprio Deus”.

( Ven. Martinho de Cochem )

 

“A Santa Missa é uma embaixada à Santíssima Trindade de inestimável valor; é o próprio Filho de Deus que a oferece”.

( São João Maria Vianney )

 

“Sinto-me abrasado de amor até o mais íntimo do coração pelo santo e admirável Sacramento da Santa Missa e deslumbrado Por essa clemência tão caridosa e tão misericordiosa de Nosso Senhor, a ponto de considerar grave falta, para quem podendo assistir uma missa, não o faz”.

( São Francisco de Assis ) 

Partes da Missa 

Ato penitencial – É um convite para cada um olhar para dentro de si mesmo. Reconhecer e confessar os seus pecados a Deus e a comunidade, é uma reconciliação com Deus e os irmãos.

Hino de Louvor – Durante essa parte da missa continuamos a fazer o louvor dos pastores como na noite em que Jesus nasceu. Nesse momento, elevamos nosso coração em louvor, adorando e dando graças ao Senhor.

Oremos ou Oração da Coleta – Após esse oremos é feito uma pausa, um momento de silêncio. É um convite do celebrante pra cada um se colocar na presença de Deus e fazer a sua oração ou intenções particulares.

Liturgia da Palavra – Tem um conteúdo da maior importância. Deus fala à comunidade reunida como seu povo. O evangelho é a palavra de vida e merece toda a nossa atenção. Na homilia o sacerdote atualiza o que Cristo falou a dois mil anos, explicando o verdadeiro sentido da sua palavra.

Profissão de Fé – Nesse momento fazemos uma declaração pública e solene de nossa fé. Também queremos dizer que cremos na palavra de Deus que foi proclamada e queremos pô-la em prática.

Oração dos Fiéis – Encerra a Liturgia da Palavra. É como se estivéssemos transformando em oração tudo o que ouvimos de Deus.

Liturgia Eucarística – É a parte do sacrifício, ou sacramento. Como sacramento, renova a ceia do Senhor, e como sacrifício, renova ao ato redentor de Cristo na Cruz. Todos os ritos, gestos, palavras, cantos, diálogos que existiram até aqui que foram para levar os participantes a esse encontro com a Eucaristia, à participação nessa ceia que Jesus desejou celebrar com seus discípulos.

Procissão do Ofertório – Essa caminhada, trazendo para o altar as ofertas, significa que o pão e o vinho estão saindo da mão do homem que trabalha, para serem consagrados. O Sacerdote recebe as ofertas e as apresenta a Deus. É um momento especial que também deve ser aproveitado para que ofertemos nossa vida ao Senhor.

Consagração – É o mistério da fé. Na consagração por ordem de Jesus, o sacerdote muda aqueles dons materiais no corpo e sangue do Senhor. Jesus se torna presente neste momento.

Oração Eucarística – Esta parte da missa é o centro, o coração da celebração. Todo o valor da oração eucarística está na pessoa de Jesus Cristo.

Rito da Comunhão – Com o Pai Nosso começa à preparação à Comunhão Eucarística. Esta oração é a síntese do Evangelho, resume tudo que foi ensinado por Jesus e tudo o que rezamos na missa. Uma das coisas que Jesus nos pede nessa oração é a paz com os irmãos. Antes de comungarmos o Corpo do Senhor na Eucaristia, precisamos estar em comunhão com o “Corpo do Senhor”, que é a comunidade.

Antes da comunhão, enquanto o celebrante se prepara, o povo fica em silêncio em oração, cheios de alegria por serem “OS CONVIDADOS PARA CEIA DO SENHOR”. Após a comunhão devemos fazer uma oração silenciosa, uma reflexão, um louvor. É o momento de AÇÃO DE GRAÇAS.

Ritos Finais – O padre nos saúda, dá a benção e envia-nos ao mundo, para darmos testemunho. 

Vestes do Padre 

Túnica – A túnica é um manto longo, geralmente branco, que cobre todo o corpo. Lembra a túnica de Jesus.

Estola – É uma faixa vertical, separada da túnica, a qual desce do pescoço do padre com duas partes na frente. Sua cor vaia de acordo com a liturgia do dia. A estola simboliza o poder sacerdotal.

Casula – Vai sobre todas as vestes. Cobre todo o corpo. Varai sua cor conforme a liturgia, como a estola. É uma veste solene, que deve ser usada nas Missas dominicais e dias festivos.

 

Ano Litúrgico 

Advento – Compõe-se de quatro semanas. Começa quatro domingos antes do natal e termina no dia 24 de dezembro. A cor das vestes litúrgicas é roxa. Não é propriamente um tempo de penitência, mas de purificação da vida pela justiça e pela verdade, preparando os caminhos do Senhor. Também não é tempo de festa, mas de esperança e alegria moderada, pois arrumamos a “casa”para receber a mais nobre visita, anunciada pelos profetas.

Natal – Começa em 25 de dezembro e se prolonga por três domingos. A cor das veste litúrgicas é branca. Celebra com grande alegria o nascimento de Jesus, que se fez Homem para nossa salvação. Nossa atitude é de gratidão e de glorificação de Deus.

Tempo Comum – Começa logo após o batismo de Jesus e se interrompe na terça feira antes da quarta-feira de Cinzas. Depois recomeça na segunda-feira após Pentecostes e vai até o sábado antes do Primeiro Domingo do Advento. A cor da vestes litúrgicas é verde. Tempo Comum é um período sem grandes acontecimentos. Aí se apresenta a vida e a pregação de Jesus na rotina de seu dia a dia. É um tempo de esperança e acolhimento da Palavra de Deus, que anuncia longamente o reino dos céus.

Quaresma – começa na quarta-feira de Cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa. A cor das vestes litúrgicas é roxa. É tempo forte de conversão e penitência, de jejum e de oração. Precisamos renunciar ao mal e aderir a Jesus que carrega sua cruz. É o tempo de preparação da Páscoa. Compõe-se de cinco semanas. Na quaresma não se diz o “Aleluia”, nem se colocam flores na igreja. Os instrumentos musicais devem ser moderados somente para sustentar o canto.

Páscoa – A páscoa começa com o Tríduo Pascal, na quinta-feira da Semana Santa. O ponto alto desse tríduo é a Ressurreição do Senhor, na Vigília Pascal. O Período pascal dura 50 dias. Vai até a festa de Pentecostes, que é a vinda do Espírito Santo. A cor das vestes litúrgicas é branca, símbolo da alegria. Devemos ressuscitar com Cristo. Na segunda-feira após Pentecostes recomeça a segunda parte do tempo comum. 

Gestos e Atitudes

 

A religião assume o homem todo, como é: corpo e alma. A graça não destrói a natureza humana, mas a completa e aperfeiçoa. Por isso rezamos também com o corpo dizendo palavras e fazendo gestos. A Missa é o louvor visível do povo de Deus.

Sentados – É uma posição cômoda que facilita a catequese. É a atitude de quem fica à vontade e ouve com satisfação, sem pressa de sair.

De Pé – É a posição de quem ouve com atenção e respeito, tendo muita consideração pelas pessoas que fala. Indica prontidão e disposição para obedecer. Foi  desde o início da Igreja, a posição do “orante”.

De Joelhos – Significa adoração a Deus “Ao nome de Jesus, se dobre todo o joelho, no céu na terra e debaixo da terra.” ( Fl , 2, 10 )

Sinal da Cruz – significa que colocamos nossa vida e nossas atividades debaixo da proteção da Santíssima Trindade. Tudo o que vamos fazer seja em nome do Deus Trino.

Genuflexão – É um gesto de adoração a Jesus na Eucaristia. Sempre que entramos ou sairmos da igreja temos que faze-la desde que se nesta encontre Jesus Eucarístico.

Inclinação – Inclinar diante de alguém é um gesto de respeito, uma adoração quando é feita para Deus.

Mãos Levantadas – Significam súplica e entrega, é o gesto dos “orantes” que não tem medo e vergonha de Louvar e pedir a Deus.

Mãos Juntas – Significam recolhimento interior, busca de Deus, fé e súplica, confiança e entrega a Deus. É atitude de profunda piedade.

Procissão – Simbolizam a peregrinação do povo em direção à casa do Pai.

Prostração – os antigos orientais tinham o costume de orar com o rosto prostrado na terra, como Cristo orou no monte das Oliveiras. Hoje esse gesto é o próprio da pessoa que se consagra a Deus, significa morrer pra o mundo e nascer para Deus.

Silêncio – O silêncio possibilita um melhor aprofundamento no mistério de Deus, “o Senhor fala no silêncio do coração.”

 

 

 

 

Dimensão litúrgica do canto

Para ser um ministro de música não basta conhecer a animação litúrgica ou  estar inserido em uma comunidade de crescimento. O animador  deve  estar  totalmente inserido na  realidade  pastoral e missionária da nossa Igreja.
É importante que cada animador se pergunte: Que tipo de discípulo eu sou? Em meu canto ecôo a voz de Deus?  Por  meio  da  minha  voz ou meu instrumento, a comunidade sente-se motivada a elogiar o Autor que age em mim?
É fundamental que cada católico se pergunte:  Será  que  eu  estou colocando Jesus Eucarístico a minha frente? Ou eu estou querendo me colocar a frente Dele?

Momentos da liturgia

"A liturgia, como exercício da função  sacerdotal  de  Cristo, comporta  um  duplo movimento: de Deus aos homens, para operar a sua santificação, e dos  homens a Deus, para que eles possam adorá-lo em espírito e verdade."

Por isso a liturgia, de um modo geral, pode ser entendida como um diálogo  entre o Deus-Trindade e o Homem-Comunidade.  Este  diálogo  é  composto  de  vários momentos. Cada momento tem o seu "espírito" próprio, seu sentimento  peculiar, e portanto uma expressão diferenciada. Ninguém pede  perdão  de  forma  triunfal, nem dá um Viva tímido. Cada momento da liturgia  exige  um  tipo  de  expressão musical.   Sem   conhecer   o   espírito  de  cada  momento  do  diálogo  litúrgico, corremos o risco de dar um Viva tão tímido que ninguém  se  sinta  estimulado  a responder.

Para melhor conhecer as diversas expressões e celebrações litúrgicas deveremos estudá-las com atenção e objetividade. Neste espaço estudaremos aquela  que  é o ápice da vida cristã: a Celebração Eucarística.

Cada Música da Celebração Eucarística tem seu  papel  e  Inspiração  própria  de cada momento litúrgico dentro da celebração. Estes momentos são os seguintes:

1. Ritos iniciais

Preparação

É um momento que foi esquecido durante algum tempo e agora está  voltando  ao uso. Enquanto alguns "acolhem" os irmãos que estão chegando para  a  festa  da Eucaristia,  o  ministro  de  música  pode  preencher  o  ambiente  com  um  solo instrumental. Alguns neste momento costumam  ensaiar  as  canções  que  farão parte da celebração. Pode-se também colocar um  disco  de  meditação,  ou  das músicas que se irá ensaiar. O importante é  criar  um  ambiente  de  vida,  pois  é Cristo, Verdade e Vida, que iremos celebrar.

Entrada

Toda a assembléia, unida em uma só  voz,  canta  a  alegria  festiva  de  reunir-se como irmãos em torno do  Cristo.  Esta  canção  deve  deixar  claro  para  toda  a assembléia, que festa, ou mistério do  Tempo  Litúrgico  (A  segunda  "perna"  do tripé litúrgico") iremos celebrar. Todo o  povo  deverá  ser  envolvido  na  execução desta canção.

A primeira impressão sempre marca  todo  o  relacionamento.  Assim  também  o canto inicial marcará toda a celebração.

Os instrumentos terão a função de unir, incentivar e apoiar o canto.  Não  deverão cobrir as vozes dificultando a compreensão do texto. Ninguém  participa  de  uma celebração para  ser  admirado,  ou  para  aumentar  seu  ibope  na  comunidade. "Tocar na Missa" é um serviço e uma oração. Todo este canto como a  procissão do sacerdote não deverão ser demasiado longas. O canto deve terminar quando o sacerdote chega ao altar.

Ato Penitencial

Neste canto aclamamos a Cristo como "Nosso  Senhor"  e  lhe  pedimos  perdão. É um canto de repouso. Sua melodia deve  traduzir  a  contrição  de  quem  pede perdão. Todo o povo  deve  participar  deste  canto,  mas  admite-se  um  diálogo solista-povo.

Não é necessário que este canto seja muito "Florido". A simplicidade é a  melhor forma de expressar o arrependimento. O instrumentista deve traduzir este espírito de confiança e invocação  acompanhado  de  modo  suave,  quase  imperceptível. Para isto pode-se até excluir a percussão deste momento.

Glória

Esta é a canção da alegria, o  canto  que  os  anjos  e  pastores   cantaram  para saudar o nascimento do redentor (cf. Lc 2,14). Desde o século IV que os  cristãos cantam. Houve uma época que só os bispos o podiam cantar. Hoje recomenda-se que toda assembléia cante o "glória" com ânimo e alegria. Para isso  é  útil  bater palmas, erguer  os  braços,  repicar  os  sinos  expressando  Glória  a  Deus  nas Alturas ... Mas é importante não  esquecer  duas  coisas:  Que  o  canto  e  suas expressões devem seguir a realidade da  assembléia; que  continuamos  com  os pés no chão, e que o nascimento de Cristo hoje depende de nossa boa vontade.

Este canto é excluído no advento e na  quaresma,  nos  outros  tempos  deve  ser executado e de preferência "Cantado". Não é  bom  que  seja  parte  exclusiva  do coral. Este poderá cantá-lo em diálogo com o povo.

O glória "não constitui uma aclamação trinitária",  Mas  deve  ser  antes  de  tudo uma manifestação da louvor a Deus-Pai e ao Cordeiro.

Os instrumentos têm papel importantíssimo neste canto. A percussão poderá ser bem explorada. É claro que a  "parte  não  deverá  sobressair  em  detrimento  do todo", mas neste canto os instrumentos poderão destacar-se um pouco mais.

II - Liturgia da Palavra

Salmo Responsorial

Dentro do diálogo litúrgico, este canto é a resposta da assembléia  ao  Deus  que falou na primeira leitura. Como diz  o  próprio  nome,  trata-se  de  um  salmo,  no entanto admite-se também um canto de meditação,  contanto que seja de origem bíblica e signifique uma resposta coerente  com  a  proposta  divina  expressa  na primeira leitura. Este canto  não  deveria  ser  nunca  excluído  pois  é  de  grande importância à liturgia da palavra.

Pode  ser  executado  por  um  solista  nas  estrofes  com  a  adesão  de  toda  a assembléia no refrão. O acompanhamento dos  instrumentos  deve  ser  discreto, exceto quando o salmo for festivo e acompanhado por todo o povo.

Aclamação ao Evangelho

Geralmente (menos no advento e na  quaresma)  a  aclamação  mais  usada  é  o Aleluia, seguido de uma pequena estrofe que prepara a leitura do Evangelho.  Não é um canto obrigatório mas sendo executado, é preciso que seja uma aclamação pessoal e comunitária ao Verbo de Deus .  Ao  contrário  do  Salmo,  este  canto permite   movimento   e   participação  vibrante  dos  instrumentos.  Poderá  haver solista, mas o Aleluia deverá ser cantado por toda a assembléia.

Depois da Homilia

Em missas com crianças, ou em outras celebrações onde  a  reflexão  silenciosa seja difícil, pode ser entoado um cântico, no estilo  do  Salmo  Responsorial,  que venha a trazer uma manifestação em sintonia com o tema do evangelho.

Profissão de Fé

O Creio é uma resposta de fé e de compromisso da comunidade e do  indivíduo  à palavra de Deus. Nele  recordamos  toda  a  história  da  salvação.  Por  isso  não convém a utilização de formas abreviadas que  sejam  profissão  de  fé,  mas  que não resumam a fé cristã. Quando cantada,  deve  contar  com  a  participação  de todo o povo. No entanto pela estrutura rítmica da letra, isso se torna  muito  difícil. Uma opção seria cantar um refrão popular, entre uma recitação e outra do Creio.

Oração dos Fiéis

Esta oração poderá adquirir um tom mais solene quando cantada. As  invocações devem ser executadas por um solista, ao que o povo responde cantando.  Aqui  a participação dos instrumentistas é  suavíssima  e  até  dispensável,  podendo  ser usado apenas o teclado com som de órgão.

III - Liturgia Eucarística

Preparação das oferendas

Este  é  um  dos  cantos  menos  importantes  da  missa.   Neste  momento  nos preparamos para  oferecer  ao  Pai,  o  Cristo  "ao  qual  nos  unimos  oferecendo nossas vidas, nosso corpo como culto espiritual  agradável  a  Deus". Portanto, o grande ofertório da missa é após a consagração quando já não oferecemos o pão, o  vinho,  nossa   vida,  nosso   trabalho,  mas  o  próprio  Cristo  e  todo  o  resto transfigurado "Por Ele, com Ele e n’Ele".

Durante o canto de ofertório normalmente também ocorre a coleta , momento  em que colocamos um pouco do que é  nosso  em  comum.  Portanto  o  objetivo  do canto "de ofertório" é criar  uma  atmosfera  de  alegria,  partilha  e  generosidade. Pode-se dispensar o canto e os instrumentos fazerem um solo apropriado para  o momento litúrgico. Ou ainda participar com um canto de  oferta  que  o  povo  não conheça, desde que este não venha a distrair a atenção do povo.

Oração Eucarística

Tanto  o  diálogo  introdutório,  como  o  prefácio  e  demais  orações  podem  ser cantados e  dependendo  da  sintonia  entre  músicos  e  celebrante,  podem  ser acompanhadas pelos instrumentos. Desde que o celebrante ache  conveniente  e sinta-se apto para isso.

Santo

É dos canto principais, se não o principal, da liturgia. Nele toda a  assembléia  se une aos anjos e santos para proclamar as maravilhas do Deus Uno  e  Trino.  É  o primeiro canto em ordem de importância. É o canto dos anjos (Is 6,2s) e  também dos homens (Lc 19,38). Não teria sentido convidar os céus e a terra,  os  anjos  e os santos para cantar em uma só voz, e depois somente um coral ou  um  solista executar o canto. Este é essencialmente um canto  do  povo.  É  indispensável  a participação dos instrumentos para  solenizar  esta  vibrante  saudação:  SANTO, SANTO, SANTO!

Aclamações em particular

Há uma série de aclamações durante a  celebração  eucarística  que  poderia  ser cantadas. A Oração Eucarística V, por  exemplo,  permite  algumas  intervenções da assembléia. O mesmo pode afirmar da Oração Eucarística  para  missas  com crianças,  ou  sobre  a  Reconciliação.  O  "Amém"  poderia  ser  cantado  muitas vezes, especialmente depois da doxologia (Por Cristo, com Cristo e em Cristo ...) que é o grande amém da  missa.. Durante  a  consagração  é  melhor  o  silêncio, nem mesmo solos devem distrair a  atenção  da  assembléia  naquele  momento. Pode-se cantar sim a aclamação após a consagração (Eis o mistério da fé ...).

Pai-nosso

O Pai-nosso cantado por toda a assembléia tem grande força e significado. É um dos grandes pontos da  Missa,  exprimindo  de  modo  maravilhoso  a  comunhão entre os irmãos. Se não for cantado por todos, é preferível que  seja  recitado. Os instrumentos têm papel de sustentação, evitando distrair a atenção da oração.

Abraço da paz

É costume cantar uma canção alegre cuja  letra  lembre  fraternidade  e  caridade como fundamento da vida cristã. Deverá ser uma melodia  contagiante. Entretanto não é essencial que a assembléia cante.

Cordeiro de Deus

Esta prece, de origem Bíblica (Jo 1,29), faz alusão  ao  Cordeiro  Pascal,  que  se imola e tira o pecado do mundo. Pode ser cantado pelo coral  ou  solista,  mas  a assembléia deve participar da última petição: dai-nos a paz.

Comunhão

É o canto mais antigo da missa. Por ele, através da união  das  vozes,  queremos expressar nossa comum-união espiritual  em  torno  de  Jesus  Cristo.  Todos  ao redor da mesma mesa, congregados numa mesma igreja, participam  do  mesmo pão. A função do canto de comunhão é alinhavar esta união.

É comum escutarmos que se deveria fazer silêncio durante a comunhão para que um  pudesse  se  entreter  num  encontro  pessoal  com  Cristo.  Ë  certo  que  a comunhão dos Cristãos é um ato pessoal, mas deve manifestar-se através de um ato comunitário. E o canto de  comunhão  deve  propiciar  esta  manifestação  de comunidade. Por isso todo o povo deve participar entusiasticamente deste canto.

O Silêncio Eucarístico necessário ao encontro e oração pessoal com Cristo se dá no próximo momento.

Ação de Graças

Após a comunhão a assembléia, em silêncio, adora  e  agradece  a  presença  do Cristo Eucarístico. Após este breve silêncio pode-se  cantar  um  salmo  ou  outro canto de louvor ou de ação de graças. Este canto não pode e não deve  excluir  o momento de silêncio após a comunhão.

É preferível que este canto seja breve e executado por todos.  Por  isso,  também para os instrumentos, não convém longas introduções e interlúdios. É preciso que o ministro tenha a devida sensibilidade e discernimento para saber se este  canto é conveniente em tal momento. Evite-se o canto  de  ação  de  graças  quando  a celebração já estiver por demais prolongada

IV - Ritos Finais

Canto Final

Antes da benção entoa-se uma ou duas estrofes de um canto alegre e que cause a última impressão que se  irá  levar  da  celebração.  Pode  ser  executado  com maestria, porém não deve ser muito prolongado. Um costume muito comum,  é  o de se aproveitar este canto final para  fazer  uma  homenagem  a  Maria,  mãe  de Deus e nossa.

Após a benção  pode-se  continuar  as  demais  estrofes  do  canto  final,  sem  a necessidade da participação do povo. Utilizem-se todos  os  recursos  disponíveis para que este encerramento crie a predisposição  para  o  povo  retornar  à  Festa Eucarística.


ORIGEM
25 DE DEZEMBRO
O QUE É O NATAL?
Como toda festa religiosa o Natal é rico em símbolos. Por isso, são poucos aqueles que conhecem as suas origens e seus significados. O Natal marca a grande festa de solidariedade universal, pois é comemorado em todo o mundo, até mesmo onde a população cristã é minoria. Podemos sentir que quando o dia 25 de dezembro se aproxima, uma certa ternura vai envolvendo a todos e o ar fica carregado de uma grande expectativa.
O Natal desperta nas pessoas sentimentos muitas vezes esquecidos, como o amor ao próximo. Muitos símbolos freqüentam vitrines iluminadas, a sala de nossas casas cria novos sons, melodias e cores que dão às nossas festas uma grande harmonia. Historicamente não se tem certeza a respeito da data do nascimento de Jesus. Um acontecimento tão importante como a vinda do filho de Deus mereceria ser lembrado numa ocasião especial, de modo que todos facilmente incorporassem o costume de celebrá-la. Aí é que entra o dia 25 de dezembro. Nessa época do ano ocorre no Hemisfério Norte do planeta, o chamado solstício de inverno, que é o momento em que o sol, depois de atingir o ponto mais distante de sua órbita, reinicia seu caminho de volta, fazendo com que os dias se tornem mais longos. Foi da apropriação e do amálgama das festividades pagãs que surgiu o Natal, também como forma de converter os não-cristãos a aderirem ao cristianismo.

 

HISTÓRIA DO SANTO SUDÁRIO:

O evangelista João conta que Nicodemos e José de Arimatéia pegaram o corpo de Jesus e o envolveram, com perfumes, em faixas de linho, do modo como os judeus costumavam sepultar (Jo 19, 38-40). Mateus diz que José de Arimatéia tomou o corpo de Jesus e o envolveu num lençol limpo, colocando-o num túmulo novo (Mt 27,29-60). Marcos e Lucas referem-se ao fato, usando a expressão "envolveu-o no lençol" (Mc 15,46; Lc 23,53). O Santo Sudário, ao longo de quase dois mil anos, passando por vicissitudes, percorreu extenso caminho. De Jerusalém, fugindo da perseguição, os primeiros cristãos o levaram para a cidade de Edessa, hoje sul da Turquia.Depois de vários séculos passou para Constantinopla atravessando o interior da Turquia, onde ficou até 1204, sendo então levado pelos Cruzados até Paris. Em 1453 chega à Chambéry, sul da França, como legado dos Duques de Savóia, de cuja casa saíram os reis da Itália. Em 1532, ocorre um incêndio na Capela do Castelo de Chambéry, onde o Sudário estava encerrado numa caixa de prata, sofrendo várias danificações que são as manchas brancas verticais que se percebe ao longo do corpo. As partes queimadas foram corrigidas por remendos feitos pelas Irmãs Clarissas, em forma de triângulos imperfeitos ou de U maiúsculo. Observam-se também as manchas de água ao se apagar o incêndio. Em 1578 uma peste assola a Europa. O arcebispo de Milão, Carlos Borromeu, faz a promessa de ir a pé até Chambéry em sinal de penitência e suplicando pelo término da peste. Para facilitar ao arcebispo o cumprimento do voto, o Duque Emanuel Phillibert, da família Savóia, leva o Sudário à Turim, onde se encontra até hoje, guardado em caixa forte com alarmes eletrônicos. Em 1983, o ex-rei Humberto da Itália transferiu os seus direitos sobre o Sudário ao Vaticano.
 

 

O MISTÉRIO DO SANTO SUDÁRIO:
Durante exposição, em 1898, o fotógrafo amador e advogado Secondo Pia fotografou pela primeira vez o Sudário. Ao revelar o filme, percebeu que as impressões do corpo começaram a assumir nitidez e profundidade inesperadas. A imagem foi impressa, inexplicavelmente, em negativo, ou seja, as partes sombrias tornaram-se claras e as luminosas, escuras. Nenhum artista poderia tê-la pintado assim. A partir daquela descoberta casual seguiram-se muitos estudos e exames fotográficos, fotométricos, radiológicos, químicos e médico-legais.A ciência apurou que não se trata de uma pintura, que as manchas de sangue contêm verdadeiro sangue humano, e que as feridas do corpo martirizado atestam uma crucificação romana. Para os cientistas, o Sudário é um mistério, pois as impressões daquele Homem estão gravadas em negativo com efeito tridimensional, enquanto as manchas de sangue são gravadas em positivo. Seguramente o lençol envolveu o cadáver de um homem martirizado, flagelado, coroado de espinhos, crucificado com cravos, com o lado traspassado,apresentando escoriações no joelho esquerdo, causado por queda, feridas, inchaços, sangue coagulado no rosto e septo nasal quebrado. Existem muitas coincidências entre as narrações dos Evangelhos e a imagem do Sudário, razão pela qual a piedade cristã viu nele um testemunho da paixão e morte de Jesus. O pesquisador Luigi Gonella, consultor científico do Cardeal Anastácio Ballestrero, ex-arcebispo de Turim, afirma: "A ciência jamais poderá demonstrar que o homem do Sudário seja Jesus Cristo, uma vez que não existe um registro em arquivo algum que possa confirmar tal identidade. A ciência diz apenas que é extremamente provável que se trate de Jesus, dado o número impressionante de coincidências com os relatos de sua paixão no Novo Testamento."

 

 

 

SACRAMENTOS DA IGREJA
INÍCIO DE CONVERSA: A palavra sacramento significa sinal. Nós dizemos que há sete sacramentos: Batismo Crisma, Eucaristia, Confissão, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio. São sinais concretos do amor de Deus. Os sacramentos são sinais que realizam mudanças verdadeiras na vida do cristão. Os sacramentos são o próprio Deus agindo eficazmente no meio da Igreja, do seu povo. Não se trata de um faz-de-conta, mas de uma realidade concreta. Somente a Igreja Católica possui os sete sacramentos e crê na eficácia deles como fonte da graça de Deus. Os sacramentos podem ser divididos em três conjuntos: Sacramentos de Iniciação Cristã (Batismo, Crisma e Eucaristia), Sacramentos de Cura (Confissão e Unção dos Enfermos) e Sacramentos de Serviço (Matrimônio e Ordem).SACRAMENTO DO BATISMO: O Batismo é o princípio da vida nova. Ele se fundamenta através do mandato de Jesus: "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi" (Mt 28,19-20). O Batismo é o nascimento para a vida nova em Cristo. Segundo a vontade de Jesus, ele é necessário para a Salvação, como a própria Igreja, na qual o Batismo nos introduz.O rito essencial do Batismo consiste em: mergulhar na água o batizando ou derramar água sobre sua cabeça invocando o nome da Santíssima Trindade. O Batismo apaga o pecado original e também todos os pecados pessoais. O Batismo imprime na alma um caráter que não pode mais ser apagado: o caráter cristão. Uma vez feito o Batismo, ele não pode ser repetido. Os que sofrem a morte por causa da fé, os catecúmenos e todos que, sob a força da graça, sem conhecerem a Igreja, procuram sinceramente a salvação e se esforçam por cumprir a sua vontade, salvam-se, mesmo sem terem recebido o Batismo.Desde os tempos mais antigos o Batismo é administrado às crianças, visto ser um dom de Deus que nos envia sua graça mesmo antes que nós o procuremos. São batizadas na fé da Igreja, dos pais, dos padrinhos. Quanto às crianças que morrem sem Batismo, a liturgia da Igreja nos convida a confiarmos na misericórdia de Deus e rezar pela sua Salvação. Em caso de necessidade urgente qualquer pessoa pode batizar, desde que tenha a intenção de fazer o que a Igreja faz e derrame água sobre a cabeça do candidato dizendo: "Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". Deve-se, nesse caso, no momento oportuno e havendo possibilidade, encaminhar o recém-batizado para terminar a cerimônia e acertar sua documentação com a Igreja. SACRAMENTO DA CRISMA: A Crisma, ou sacramento da confirmação, plenifica a graça do Batismo. Ele é o sacramento que dá o Espírito Santo, para nos enraizar mais profundamente na família de Deus. Ajuda-nos a dar testemunho de nossa fé cristã pela palavra, acompanhada do testemunho das obras. A confirmação marca a alma do cristão com um sinal espiritual indelével, que não pode ser apagado. É por isso que só se pode receber esse sacramento uma vez na vida. Na nossa Igreja ele é administrado quando se atinge a idade da razão (aproximadamente 15 anos, dependendo das normas da diocese local). Sua celebração é reservada ao bispo ou, em casos emergenciais, a algum padre que ele escolher. Quem vai receber a crisma deve fazer sua profissão de fé ou o creio, deve fazer uma confissão para estar em estado de graça na hora de receber esse sacramento tão importante. Deve ainda estar consciente de que deve assumir a Igreja, e não sumir dela. Assumir seu papel como discípulo de Jesus na Igreja e no mundo. Você sabe quais são os sete principais dons recebidos na crisma? Confira: Sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. SACRAMENTO DA EUCARISTIA: A Eucaristia é o ponto mais alto da vida da Igreja. Nela o próprio Cristo associa todos os fiéis ao seu sacrifício oferecido uma vez por todas na cruz. Jesus confirma isso dizendo: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente (...). Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; (...) permanece em mim e eu nele" (Jo 6,51.54.56). A Eucaristia é o memorial da páscoa de Cristo, isto é, da obra da Salvação realizada pela vida, morte e ressurreição de Cristo, obra tornada sempre presente e atuante pela ação da liturgia. Em outras palavras, é o mesmo Cristo que continua se oferecendo em nossos altares, morrendo e ressuscitando cada vez que celebramos a missa.Ele, Jesus Cristo, está realmente presente na forma de pão e vinho consagrados. Não se trata de um faz-de-conta, mas de algo real. Só os sacerdotes que foram devidamente ordenados podem presidir a eucaristia e consagrar o pão e vinho, para que se tornem o corpo e sangue de Nosso Senhor.Enquanto é um sacrifício, a Eucaristia é oferecida pelo perdão dos pecados dos vivos e dos mortos. O próprio Senhor está constantemente nos salvando nos seu sangue derramado da cruz e atualizado no santo sacrifício da missa. Mas para receber o corpo e o sangue de Cristo devemos estar preparados, em estado de graça. Aqueles que pecaram mortalmente devem antes ir ao sacramento da penitência para poder receber dignamente o Senhor eucarístico. A Igreja crê que uma vez feita a transubstanciação (mudança do pão e vinho em corpo e sangue de Jesus), tais elementos assim continuam. Por esse motivo a Igreja conserva no sacrário a reserva eucarística que não foi consumida na missa. Ela serve para os doentes e para a adoração. O próprio Jesus, ao realizar a última ceia com seus discípulos, tomou elementos que já estavam presentes na ceia pascal judaica. Apenas os atualizou diante de seu mistério salvador, acrescentando neles os elementos novos que são o lava-pés e as seguintes palavras: "Tomai, todos, e comei: Isto é o meu Corpo que será entregue por vós. Tomai todos e bebei: este é o Cálice do meu Sangue. O Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos, para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim".SACRAMENTO DA PENITÊNCIA: Falar do sacramento da penitência é falar do sacramento do amor incansável do Pai. Ele se fundamenta através do mandato de Jesus Ressuscitado na tarde da Páscoa quando disse: "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20,22-23). A Igreja Católica acredita que todo pecado cometido após o Batismo pode ser perdoado por meio de um sacramento próprio, chamado da reconciliação, da confissão ou da conversão.Quem peca fere a sua dignidade de Filho de Deus fere a si mesmo, ao seu próximo e à Igreja da qual faz parte. Aos olhos da fé não existe coisa mais grava que o pecado e também não existe alegria maior que o perdão recebido de Deus. Retornar para Deus pela penitência implica que a pessoa se arrependa de seus pecados, se converta e passe a detestar esse mesmo pecado. Tem de ter também o propósito de não voltar a pecar no futuro. Logo, o sacramento da penitência é constituído de três atos da parte do penitente: exame de consciência, arrependimento e propósito de cumprir uma reparação pelas faltas cometidas.Só os sacerdotes que receberam da autoridade da Igreja a faculdade de absolver os pecados podem fazê-lo em nome de Cristo. Para isso todo padre possui o chamado "segredo de confissão". Ou seja: em hipótese alguma poderá revelar o pecado contado pelo penitente. Mesmo se a vida do sacerdote estiver em perigo, ele deve guardar segredo do que foi contado.SACRAMENTO DA UNÇÃO DOS ENFERMOSO: sacramento da Unção dos Enfermos, na Igreja, tem por finalidade conferir uma graça especial ao cristão que enfrenta as dificuldades que são próprias ao seu estado de doente grave ou idoso. Um dos seus fundamentos se encontra na carta de Tiago: "Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração de fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecado, ser-lhe-ão perdoados" (Tg 5,14-15). Todas as vezes que um cristão cai gravemente enfermo, pode receber a santa unção; e também por doença ou velhice. Não devemos chamar o padre para dar esta unção quando aparece qualquer dorzinha de cabeça. O sacramento é uma coisa séria. Só os sacerdotes (padres e bispos) podem ministrar o sacramento da unção dos enfermos. Para isso usa o óleo bento pelo bispo na quinta-feira santa ou, em caso de necessidade, pelo próprio sacerdote. SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO: O Matrimônio faz com que um homem e uma mulher constituam entre si uma comunidade de vida e de amor. O matrimônio destina-se, antes de tudo, segundo a Igreja: ao bem do casal, à procriação e educação dos filhos. É tão importante aos olhos de Jesus, que ele iniciou sua vida pública justamente em um casamento, em Cana da Galiléia. É um sinal de união de Cristo com a Igreja. Ou seja, marido e mulher devem se amar com o mesmo amor com que Cristo amou sua Igreja: até o fim, na fidelidade mais plena. O matrimônio assumido e vivido na fidelidade mais plena é um caminho de santificação para as pessoas.É o único sacramento onde o ministro não é quem realiza a cerimônia, mas sim os próprios noivos. Está sustentado no consentimento mútuo que o noivo e a noiva dão um ao outro. O celebrante assume o papel de uma testemunha oficial da Igreja que, juntamente com as demais testemunhas presentes, os acolhem nessa forma de vida na Igreja. É um sacramento indissolúvel (o divórcio separa o que Deus uniu). É um sacramento que tem como característica ainda a unidade. É também um sacramento que deve estar aberto à fecundidade. Mais do que nunca a Igreja insiste, nos dias de hoje, para que haja uma adequada preparação ao casamento. Só assim, marido e mulher poderão perceber a riqueza da graça, da bênção de Deus que estão recebendo.SACRAMENTO DA ORDEM: A missão própria desse sacramento consiste resumidamente em servir a comunidade em nome e na pessoa de Cristo-Cabeça. O sacerdócio ministerial (dos diáconos, padres e bispos) recebe o poder sagrado para o serviço dos fiéis em geral: pelo ensino, pelo culto divino e pelo governo pastoral. O ministério ordenado foi conferido em três graus: Bispos: recebem a plenitude do sacramento da ordem. Isto os coloca no Colégio Episcopal e faz deles chefes visíveis da Igreja particular (por exemplo, uma diocese). São sucessores diretos dos Apóstolos. Padres: estão unidos aos bispos na dignidade sacerdotal e ao mesmo tempo dependem dos bispos para exercer suas funções de sacerdotes. São chamados a ser cooperadores de confiança do bispo. Assumem com o bispo a responsabilidade pela chamada Igreja particular (diocese). Assumem do bispo o cuidado de uma paróquia ou de um serviço determinado. Diáconos: são ministros ordenados para o serviço na Igreja. Não recebem o chamado sacerdócio ministerial, mas a ordenação lhe dá funções importantes na Igreja como: proclamação da palavra, culto divino, governo pastoral, serviço da caridade. Estão também sob a autoridade pastoral de seu bispo. O gesto que confere o sacramento da ordem é: a imposição das mãos pelo bispo e uma oração consecratória, pedindo a Deus a efusão do Espírito Santo e de seus dons para exercer bem aquele ministério.
Fonte: Catecismo da Igreja Católica


O CRISTÃO E O DOMINGO
O DIA DO SENHOR: Dentre os dez Mandamentos está um que manda guardar o Dia do Senhor. Nesse dia não se trabalha. E como o homem é também espírito, esse dia tem a finalidade de proporcionar ao homem uma renovação espiritual, elevando-se a Deus e encontrando-se com os irmãos. Todo homem que não respeita o Dia do Senhor e não faz desse dia um dia de oração, está pondo em risco o bom funcionamento de sua vida, pelo uso incorreto daquilo que Deus fez com sabedoria. Se lhe vierem dias maus, a culpa não é do Fabricante, mas do próprio homem, que não seguiu as instruções. E também fica sem validade a "garantia" que recebeu, prometendo-lhe a vida eterna. Quantas vezes nós damos a chave de nossa casa para um amigo abrir a porta. E ele vem logo de volta dizendo: "Olha, eu não consegui abrir aquela porta". De fato, ele virou a chave para todos os lados e em todas as posições, mas a porta não se abriu, porque tem um segredinho que só a gente sabe. Quanto mais a porta do coração do homem! Deus que o fez é quem sabe certinho o segredo da felicidade humana, e lhe deu uma lei que, posta em prática, torna o homem feliz. Não adianta qualquer curioso ficar inventando receita de felicidade para o homem. Trata-se de um segredo de "fabricação" e com exclusividade.Sua Origem,Coisa antiga e sagrada é o Dia do Senhor! Sua origem é divina, e vem desde os primeiros tempos da humanidade. Encontra-se no "Decálogo" que o Senhor Deus "Javé" entregou a Moisés no Monte Sinai, depois que Israel saiu do Egito e ia a caminho da terra de Canaã (Ex 20,8-11).

DÍZIMO, O QUE DIZ A BÍBLIA
Gn 28,20: "Jacó fez então este voto: 'Se Deus for comigo, se ele me guardar durante esta viagem que empreendi, e me der pão para comer e roupa para vestir, e me fizer voltar em paz à casa paterna, então o Senhor será o meu Deus. Esta pedra da qual fiz uma estrela será uma casa de Deus e pagarei o dízimo de tudo o que me derdes".Comentário: Jacó fez o voto de dar o dízimo de tudo aquilo que Deus lhe daria. Um jogo de reciprocidade: pedia proteção, comida e tranqüilidade. Se Deus o atendesse, ele lhe daria 10% e o reconheceria como Deus. Casa contrário...? Deus o atendeu e Jacó cumpriu sua promessa. Lv 27,30-31: "Todos os dízimos da terra, tomados das sementes do solo ou dos frutos das árvores são propriedade do Senhor: é uma coisa consagrada ao Senhor. Todos os dízimos do gado maior e menor, os dízimos do que passa sob o cajado do pastor, o décimo (animal) será consagrado ao Senhor". Comentário: Os dízimos eram propriedades do Senhor. Esta é a passagem mais explícita da Bíblia sobre a obrigatoriedade do dízimo. Ml 3,8-9: "Pode o homem enganar o seu Deus? Por que procurais enganar-me? E ainda perguntais: Em que vos temos enganado? No pagamento dos dízimos e nas ofertas. Fostes atingido pela maldição, e vós, nação inteira, procurais enganar-me."Comentário: Ficar com o que é dos outro é roubo. Será que conseguiremos enganar a Deus?
Pesquisado no Jornal "Lumen" - Arquidiocese de Niterói - Vicariato Região dos Lagos

O DOGMA DA TRINDADE SANTA
Valor da Tese: A Trindade é a síntese de todas as verdades da fé cristã. Tudo o mais gravita em torno deste mistério. E seu valor se sobrepõe porque Nele podemos, na terra, entrever a essência e a vida íntima de Deus, na sua felicidade e em nossa felicidade futura. Por isso é que todos os atos de culto litúrgico da Igreja, são feitos em nome da Trindade, porque a essência da vida cristã consiste na união com as três pessoas. Tese: Na essência única divina, há três pessoas e estas três são um único Deus. Sempre houve sérias controvérsias com relação à Trindade. Foi exposto formalmente pela primeira vez, no símbolo de Santo Atanásio: "A fé católica é esta que veneramos um só Deus na Trindade e a Trindade na Unidade". Isso se deu no ano 400. Na idade média, sendo de novo a doutrina deturpada, foi deturpada, foi restabelecida pelo IV Concílio de Latrão. Hoje conservamos ainda essa doutrina. Unidade na Trindade: Deus é realmente uno. Unidade de essência: Unidade numérica, absoluta, sem divisão. Três pessoas, mas um só Deus, não porque tem essência igual, mas essência única. Unidade dos atributos: As perfeições de Deus são inseparáveis. Tal Pai, tal filho, tal Espírito Santo. Fato decorrente da unicidade da essência. Unidade da atividade externa: Há um único princípio de atividade, uma única ação. As ações são sempre comuns às Três Pessoas. Trindade na Unidade: Deus é realmente trino. A Trindade supõe uma distinção real em Deus que se realiza com relação às Pessoas: São três pessoas distintas em sentido próprio, positivo e exclusivo e inconfundível. Uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo. Procedência: A primeira pessoa possui a essência não comunicada, sem princípio. A Segunda recebe por geração da primeira. A terceira é comunicada mediante a expiração comum à primeira e à Segunda. Daí o nome: "Pai, Filho e Espírito Santo" Modo: A distinção real entre as pessoas deve ser procurada no modo diferente de possuir a essência, ou melhor, nas relações resultantes entre as Pessoas. Por isso elas são não absolutas em si mesmas, mas relacionadas, e nestas relações se fundamentam a explicação Trinitária. Unidade e Trindade: As pessoas divinas compenetram-se reciprocamente uma na outra de tal forma que o Pai está todo no Filho e todo no Espírito Santo e assim todas elas. Por isso se diz: "A Unidade é tão perfeita que não é destruída pela Trindade e a Trindade tão real que não é eliminada pela Unidade. Conclusão: O dogma trinitário consiste no "Ser divino numericamente uno e totalmente perfeito e infinito, que é possuído por três pessoas realmente distintas, de modo distinto, mas com uma perfeição absolutamente igual. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são cada um, verdadeiramente Deus e ao mesmo tempo um só Deus."
Pe. Elídio Robaina, Curso de Formação para Catequistas

COMUNHÃO EUCARÍSTICA:
A Comunhão Eucarística é uma das mais importantes práticas do cristão. É através da Eucaristia que nos aproximamos intimamente da Divindade, na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, o próprio Deus Encarnado.Todos os domingos, muitíssimos cristãos no mundo inteiro se aproximam da Mesa Eucarística para receber o Corpo de Deus, tornando-se verdadeiros sacrários vivos. Pois guardam dentro de si o Corpo Vivo de Nosso Senhor.A Missa, como Dom de Deus e Recordação Plena do Sacrifício de Jesus na cruz, nos faz mais íntimos da Divindade. Pois a Igreja é a morada de Deus, como aprendemos desde criança, e é lá que nós vamos para "visitá-lo". Ou seja, na Missa nos sentamos ao redor de Jesus, na pessoa do Sacerdote, para nos alimentarmos da Palavra Viva e do seu Corpo e Sangue Vivos. É importante mencionar que a Eucaristia é um Sacramento Iniciação Cristã, que tem uma característica muito importante em relação à Graça Sacramental, isto é, a Graça que recebemos ao comungar é acumulativa. Isto é, a cada Eucaristia que recebemos, nos enchemos mais ainda da Graça de Deus, e nos aproximamos mais intimamente de Nosso Senhor Jesus Cristo. Além de muitos cristãos se aproximarem da Mesa Eucarística aos domingos, existem outros que, impulsionados pelo Amor ao Corpo de Deus, recebem diariamente Jesus Sacramentado. A Comunhão Diária é uma prática transformadora! Através dela, recebemos muitas graças e nos aproximamos do Grande Deus que se faz tão Pequeno na Hóstia Consagrada. A Comunhão Eucarística é uma prática maravilhosa, mas, ao mesmo tempo, exige de nós uma preparação espiritual. É importante não somente comungar Jesus, mas, em paralelo, estar em comunhão com aqueles que convivem conosco. A Comunhão se torna plena quando estamos na graça de Deus, ou seja, sem qualquer pecado grave que nos impeça de entrar no Reino. Não basta somente estarmos na Mesa Eucarística diariamente. O importante é buscarmos preencher a morada do nosso coração, com coisas que constroem, na espera do Jesus Eucarístico que recebemos semanalmente ou diariamente. Logo, receber a Eucaristia é uma graça que nos é dada sem merecimento nenhum de nossa parte, mas sim, pela Misericórdia de Jesus. Busquemos comungar com zelo e amor, Jesus Eucarístico, para que um dia não precisemos mais comungá-lo, mas sim encontrá-lo no Reino que nos foi preparado.

Fonte: Ricardo Camões

 

OS DEZ MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS:
1 - Amar a Deus sobre todas as coisas.
2 - Não tomar seu Santo Nome em vão.
3 - Guardar domingos e festas.
4 - Honrar pai e mãe.
5 - Não matar.
6 - Não pecar contra a castidade.
7 - Não furtar.
8 - Não levantar falso testemunho.
9 - Não desejar a mulher do próximo.
10 - Não cobiçar as coisas alheias.

OS 5 MANDAMENTOS DA IGREJA

I Participar da missa ou culto aos domingos e dias santos.
II Confessar-se ao menos uma vez por ano.
III Comungar ao menos pela Páscoa.
IV Jejuar e abster-se de carne, quando manda a santa igreja.
V Pagar o dízimo segundo o costume.